01 / VISÃO GERAL
Uma carga atravessada sobre a nuca, não um levantamento com as costas
O kata-guruma, a roda de ombro, é um te-waza (técnicas de braço) na lista do Kodokan. A definição da IJF fixa três elementos: desequilibrar uke para a frente ou para a diagonal frontal direita, levantar uke sobre os ombros, atravessado sobre a nuca, e projetá-lo para baixo. Todo o resto deste guia (a pegada, o passo e a direção da queda) é uma convenção de ensino que você deve conferir com a versão do seu professor.
Todo o peso de uke fica apoiado em você por um instante, e isso muda as prioridades do treino. Um seoi-nage um pouco fora do centro ainda gira; um kata-guruma fora do centro deixa você em pé com um parceiro mal equilibrado sobre o seu pescoço. Por isso, a maior parte deste guia trata da posição de carga e de reconhecer quando não levantar.
Nomes que você pode encontrar: kata guruma, kataguruma e “shoulder wheel” (roda de ombro, o rótulo em inglês); quem vem da luta olímpica vai ver uma semelhança com o “fireman’s carry” (a carga do bombeiro). Existem variações de joelhos e sem pegada na perna; a seção 12 as separa da forma em pé.
Para quem é este guia: judocas que já recebem projeções com um ukemi (técnicas de amortecimento de queda) confiável e treinam com um professor. Como um dos parceiros é levantado até a altura dos ombros, esta não é uma técnica para aprender sozinho a partir de um texto. Quem compete deve ler primeiro a observação sobre as regras na seção 12: a pegada clássica na perna usada neste guia é punida pelas regras de arbitragem atuais da IJF.
02 / VEJA A TÉCNICA
Observe a mudança de nível antes do levantamento
Abra este vídeo no YouTube se o player não carregar.
Abra este vídeo no YouTube se o player não carregar.
O vídeo do Kodokan é a demonstração oficial de referência e não tem legendas. A descrição do Efficient Judo diz que a análise mostra “how to perform the classic technique, as well as some IJF legal variations” (como executar a técnica clássica, além de algumas variações permitidas pela IJF). Verificamos a identidade e a descrição dos dois vídeos, mas não os transcrevemos; por isso, nenhuma dica desta página é atribuída a quem os apresenta.
Assista três vezes. Primeira vez, a manga: acompanhe a mão esquerda de tori do primeiro contato até a queda de uke. Ela puxa uke para a frente antes de tori abaixar o nível, e ainda segura a manga quando uke chega ao tatame? Segunda vez, o tronco: pause no ponto mais baixo e olhe as costas de tori de lado. A cabeça está acima do quadril, ou o tronco está dobrado para a frente como num levantamento terra com as costas curvadas? Terceira vez, o centro de uke: no momento em que tori começa a se levantar, onde está a faixa de uke em relação à nuca de tori?
Ao comparar os dois vídeos, anote o que muda entre a forma clássica e as variações que o Efficient Judo apresenta: para onde vai o braço direito de tori, se um joelho toca o tatame e para que lado uke cai. Escreva essas diferenças antes de experimentar uma versão; elas definem o ukemi, o espaço de queda e a situação de cada forma perante as regras (seção 12).
03 / QUANDO USAR
Aberturas que colocam o peso de uke sobre o pé da frente
A definição da IJF parte de um kuzushi (desequilíbrio) para a frente ou para a diagonal frontal direita. Na forma pelo lado direito, isso significa o peso de uke indo para o pé direito e a parte de cima do corpo chegando por cima dele ou passando dele. O kata-guruma exige um pouco mais do que outras projeções para a frente: você também precisa conseguir levar a cabeça e os ombros para baixo do tronco de uke, o que é mais fácil quando uke já está curvado ou se esticando na sua direção.
Uke se curva para a frente e mantém você à distância
Uma postura defensiva, com o quadril para trás e a cabeça baixa, bloqueia as projeções de quadril, mas deixa espaço embaixo do peito de uke. Se a sua manga ainda consegue trazer uke mais para a frente, esse espaço é a porta de entrada para a mudança de nível. Confira primeiro uma condição: o peso de uke está na ponta dos pés (uma puxada os move) ou assentado para trás, nos calcanhares (uma puxada só estica os braços)? Só a primeira situação é uma abertura.
Uke dá um passo à frente com o pé direito
Quando uke avança o pé direito sob uma puxada na manga direita, a perna direita vira o alvo mais próximo e o tronco a acompanha para a frente. O seu pé direito entra entre os pés de uke no momento em que o pé dele pousa. Chegar tarde demais significa que o pé esquerdo de uke já veio para a frente para reequilibrar; chegar cedo demais significa abaixar o nível na frente de um parceiro que ainda não comprometeu o peso.
O seu braço direito está livre para descer
A forma clássica exige que a sua mão direita saia da gola e desça entre as pernas de uke no mesmo momento da mudança de nível. Se uke segura a sua manga direita ou prende o seu cotovelo direito junto ao seu corpo, esse caminho está fechado e o braço chega tarde, depois que uke já se endireitou. Confira isso antes de se comprometer: você consegue dobrar o cotovelo direito e baixar a mão sem que a pegada de uke a acompanhe? Se não, a primeira tarefa é liberar o braço direito (ou esperar a reação de uke a um ataque de pé, seção 7), e não abaixar.
Quando a abertura não existe
Não abaixe o nível contra um parceiro que está ereto e com o peso para trás, que mantém o seu braço da manga esticado de modo que a sua cabeça não consegue passar, ou que está se afastando. Abaixar embaixo de um adversário ereto coloca a sua cabeça na altura da faixa dele, sem nada para levantar, e o convida a se jogar com o peso sobre as suas costas. Contra pegadas de lados opostos (kenka-yotsu, guardas opostas), anote qual braço bloqueia o caminho até o lado direito do corpo de uke antes de concluir que a técnica “não funciona contra canhotos”; muitas vezes o problema é não conseguir garantir a manga direita, e não a projeção em si.
04 / COMO FUNCIONA
Cinco tarefas ligadas, da manga à queda
Aqui o kuzushi, o tsukuri (preparação, o encaixe) e o kake (execução) se sobrepõem, porque a mudança de nível que carrega uke também é o encaixe. Cada passo nomeia a tarefa de um braço ou perna e uma verificação que você pode ver no vídeo.
Mão esquerda: puxe a manga direita para a frente e para cima
A sua mão esquerda segura a manga direita de uke e puxa em direção à sua diagonal frontal esquerda, mais ou menos na altura do ombro de uke, levando o peso de uke para o pé direito. A puxada continua enquanto você desce; ela não para quando você começa o passo. Verificação: vista de lado, o calcanhar direito de uke sobe ou a cabeça dele vai para a frente antes de o seu quadril descer. Se a postura de uke não muda, o resto da ação não tem o que carregar.
Pés e joelhos: abaixe o nível com as costas eretas
Entre com o pé direito entre os pés de uke, perto do pé direito dele, e dobre os dois joelhos para que o quadril desça enquanto o tronco continua ereto. O seu pé esquerdo se ajusta para dar uma base larga o bastante para você se levantar a partir dela; o seu professor define o padrão exato dos passos. Verificação: no ponto mais baixo, a sua cabeça está acima do quadril, e não na frente dos joelhos. Um tronco dobrado significa que as pernas não conseguem fazer o levantamento e que a carga vai para a lombar.
Braço direito e nuca: coloque o tronco atravessado sobre os ombros
Solte a gola e passe o braço direito entre as pernas de uke, de modo que a mão envolva a parte de trás da coxa direita de uke. Ao mesmo tempo, a sua nuca e os seus ombros chegam embaixo do lado direito de uke, com o tronco de uke deitado atravessado sobre eles. A sua mão esquerda continua puxando a manga para baixo, atravessada sobre o seu peito, o que ajuda a assentar uke sobre a sua nuca. Verificação: a faixa de uke fica perto da sua nuca, com a parte de cima do corpo de uke do seu lado esquerdo e as pernas do seu lado direito. Se a maior parte de uke pende para um lado, a carga está fora do centro; recomece em vez de levantar.
Pernas: fique em pé antes de inclinar
Levante esticando os joelhos com o tronco ainda ereto, trazendo os pés para baixo de você. O levantamento não precisa ser alto; a função dele é tirar os pés de uke do tatame com a carga equilibrada. Verificação: os seus joelhos se estendem primeiro e o ângulo das suas costas quase não muda. Se o seu quadril sobe enquanto os ombros continuam baixos, você está levantando com as costas.
As duas mãos: gire uke para baixo na sua diagonal frontal esquerda
Gire um pouco para a esquerda e puxe a manga para baixo, enquanto o seu braço direito deixa a perna subir por cima, de modo que uke role dos seus ombros e caia na sua diagonal frontal esquerda. Mantenha a manga até uke cair e continue em pé (ou, numa forma de joelhos, apoiado no joelho), com a cabeça erguida. As regras de arbitragem da IJF incluem o kata-guruma entre as técnicas que não podem ser finalizadas com um mergulho de cabeça no tatame, e proíbem dar uma cambalhota para a frente enquanto uke está sobre os seus ombros. Verificação: uke cai atravessado pelo seu lado esquerdo, com o braço direito ainda conectado à sua mão esquerda, e a sua própria cabeça nunca vai em direção ao tatame antes de uke.
Como as partes dependem umas das outras
A puxada da manga cria o espaço para a mudança de nível; a mudança de nível só funciona se a manga continua trazendo uke para a frente enquanto você desce. Se os seus pés correm para dentro enquanto a mão para, uke se endireita exatamente quando a sua cabeça chega. Se a mão puxa mas o seu quadril continua alto, uke se curva por cima de você e você acaba empurrando a barriga dele em vez de entrar embaixo dela.
O que a evidência estabelece e o que não estabelece
O texto da IJF estabelece a direção do kuzushi e a carga sobre os ombros e a nuca. Ele não especifica a altura da pegada na manga, a profundidade do passo, a posição da mão na coxa nem a largura da base; essas são questões de encaixe para o seu professor. O tamanho do parceiro importa mais aqui do que na maioria das projeções, e a formação das duplas é decisão de quem supervisiona.
05 / PONTOS-CHAVE
Quatro verificações antes de levantar alguém
As verificações de mecânica da seção 4 descrevem posições. Estes pontos tratam da ordem e do tempo, as coisas que dão errado entre essas posições. Escolha um por série.
- Puxe e abaixe num só tempo. Teste: uke anuncia em voz alta o momento em que se sente puxado para a frente e o momento em que a sua cabeça chega embaixo dele. Se forem dois avisos separados, com uma pausa entre eles, uke tem tempo de se endireitar; encurte esse intervalo antes de descer mais.
- Chegue de frente para uke, sem virar de costas. Diferentemente do seoi-nage, você não vira as costas para uke. Teste: no ponto mais baixo, o seu peito está voltado para o lado direito de uke e os dois ombros estão embaixo do tronco de uke. Costas viradas para uke colocam uke sobre um ombro só, em vez de atravessado sobre a nuca. O quanto o seu professor quer você de frente é um detalhe de encaixe a confirmar.
- A mão direita é a última a sair da gola. Teste: no vídeo, a sua cabeça já está embaixo do lado direito de uke quando a mão direita começa a descer entre as pernas. Se a mão vai primeiro, uke vê o alcance e recolhe o quadril.
- Suba quando uke avisar, não pelo esforço. Teste: na etapa de carregar e segurar, você só se levanta depois que uke diz “centrado”. Conte quantas vezes você começou a subir antes da palavra; esse número deve chegar a zero antes de os levantamentos ficarem mais altos.
Um ponto que falha leva à seção 6: os dois primeiros a “o meu ombro bate no quadril de uke”, o terceiro às situações em que uke se joga com o peso sobre você, o quarto a “não consigo me levantar”.
06 / ERROS E AJUSTES
Onde o kata-guruma trava
Procure a falha visível mais precoce; o mesmo “não projetou” pode começar em fases muito diferentes. Filme de lado, com os pés dos dois parceiros no quadro.
“O meu ombro bate no quadril de uke e nada acontece.”
Causas possíveis: uke ainda estava ereto, com o peso nos calcanhares; o seu passo de entrada ficou curto e a sua cabeça chegou na frente do corpo de uke; ou uke viu a mudança de nível e recolheu o quadril. Como distinguir: observe o calcanhar direito e a cabeça de uke antes da sua descida. Nenhuma mudança para a frente aponta para o kuzushi. Mudança para a frente, mas com a sua cabeça chegando por fora do quadril direito de uke, aponta para a distância. Um bom começo seguido do quadril de uke se afastando enquanto você desce aponta para o tempo. Ajuste: no caso da distância, entre com o pé direito um pouco mais fundo entre os pés de uke, com a mesma puxada. Avaliação: com o mesmo parceiro e o mesmo passo à frente, conte as repetições em que a sua nuca chega ao lado direito do tronco de uke.
“Uke está sobre os meus ombros, mas eu não consigo me levantar.”
Causas possíveis: o seu tronco está dobrado, de modo que a carga fica na frente do seu quadril; o centro de uke está para um lado da sua nuca; ou a dupla é simplesmente pesada demais para esta etapa. Como distinguir: na vista lateral, confira se a sua cabeça está na frente dos joelhos. Na vista de trás, confira onde está a faixa de uke. Se as duas coisas parecem certas e você ainda não consegue subir, o problema é a escolha do parceiro. Ajuste: use o exercício de carregar e segurar da seção 10, assentando uke atravessado sobre a nuca com os pés fixos no tatame, e só se levante depois que uke disser que está equilibrado. Avaliação: com o mesmo parceiro, uma proporção crescente de avisos de “centrado” é progresso, mesmo antes das projeções completas.
“Uke rola para trás de mim ou para o lado errado.”
Causas possíveis: a manga foi solta ou ficou frouxa durante o levantamento; uma parte grande demais de uke ficou sobre os seus ombros do lado das pernas; ou você girou para a direita em vez da esquerda. Como distinguir: olhe a sua mão esquerda durante o levantamento e para que lado os seus pés giraram na finalização. Ajuste: ensaie a finalização a partir da posição carregada, com os pés de uke perto do tatame, mantendo a manga puxada atravessada sobre o seu peito e girando para a esquerda. Avaliação: uke deve cair na sua diagonal frontal esquerda em todas as repetições de uma série antes de a altura do levantamento aumentar.
“Uke cai forte, chapado ou perto dos meus pés.”
Causas possíveis: você largou uke do alto do levantamento em vez de girá-lo para baixo; a manga foi solta; ou uke não treinou ukemi a partir dessa altura. Como distinguir: pergunte a uke se ele se sentiu conduzido ou largado, e confira a sua mão esquerda. Se você conduziu e segurou e uke ainda cai mal, o ukemi precisa de uma preparação separada. Ajuste: volte às projeções a partir de um levantamento mais baixo (joelhos ainda parcialmente dobrados), sobre um tatame mais grosso, com a manga segura o tempo todo. Avaliação: uke classifica cada queda como controlada ou não; só aumente a altura depois que uma série inteira for classificada como controlada.
“O meu pescoço ou a minha lombar dói depois de uma série.”
Pare de levantar nessa sessão e avise o seu professor. Causas possíveis a conferir juntos: levantar com o tronco dobrado, uma carga fora do centro pressionando um lado do pescoço, um parceiro muito mais pesado que você ou simplesmente levantamentos demais numa série. Como distinguir: o vídeo lateral separa o ângulo das costas da posição da carga; o seu registro de treino mostra o volume e o tamanho do parceiro. Ajuste: apenas o único fator que o seu professor identificar, muitas vezes um volume menor com um parceiro mais leve. Avaliação: a próxima série comparável deve terminar sem a mesma queixa. Dor persistente é assunto para um profissional qualificado.
“Uke se joga com o peso sobre mim e eu acabo embaixo.”
Causas possíveis: a sua cabeça desceu abaixo do quadril, e uke conseguiu pressionar as suas costas para baixo, ou uke leu a preparação porque você sempre abaixa a partir da mesma pegada, sem uma ameaça antes. (Abaixar de longe demais é o caso da distância, acima.) Como distinguir: uma cabeça baixa embaixo de um uke ereto indica postura; uke se jogando sobre você antes mesmo de você se mexer indica previsibilidade. Ajuste: no caso da previsibilidade, coloque o ataque de pé verdadeiro da seção 7 antes de abaixar. Avaliação: num exercício com duas respostas, acompanhe com que frequência uke precisa adivinhar, em vez de simplesmente esperar a mudança de nível.
07 / PREPARAÇÕES E COMBINAÇÕES
Faça uke se inclinar para a frente e depois carregue
Cada sequência abaixo indica a pegada, a primeira ação, a resposta que permite o passo seguinte e a condição para recomeçar. São ideias de treino condicionais, para adaptar com o seu professor, e não descrições dos vídeos indicados. Elas usam a pegada clássica na perna; se o seu randori (treino livre) segue as regras da IJF, faça as mesmas entradas com a forma sem pegada na perna que o seu professor ensinar.
PARA O KATA-GURUMA
Ko-uchi-gari → kata-guruma
Início: mão esquerda na manga direita de uke, mão direita na gola esquerda, uke em guarda direita. Primeira ação: um ko-uchi-gari de verdade, com o seu pé direito contra o calcanhar direito de uke, ceifando em direção às costas de uke. Resposta que permite o próximo passo: uke levanta o pé direito para escapar e volta a apoiá-lo enquanto se inclina para a frente sobre a sua manga para se recuperar. Próxima ação: o seu pé direito já está dentro; continue puxando a manga, abaixe o nível e carregue o tronco atravessado sobre a nuca quando o peso de uke pousar nesse pé. Recomeço: se, em vez disso, uke recua com o pé esquerdo e se endireita, não há carga; finalize a pressão do ko-uchi ou volte à guarda.
DEPOIS QUE UKE EVITA O KATA-GURUMA
Ameaça de kata-guruma → o-uchi-gari
Início: a mesma pegada. Primeira ação: uma puxada da manga e o começo de uma mudança de nível. Resposta que permite o próximo passo: uke se endireita e se inclina para trás para não ser carregado, com o pé esquerdo perto do seu pé direito. Próxima ação: volte à sua altura, mantenha a manga e a gola conectadas e ataque a perna esquerda de uke com o o-uchi-gari, empurrando em direção às costas de uke. Recomeço: se uke se jogou com o peso sobre você, com o quadril recuado, em vez de se inclinar para trás, o ataque para trás desapareceu; recupere primeiro a postura e tire a cabeça da posição baixa.
CONTRA UMA DEFESA CURVADA
Puxada da manga → segunda puxada → kata-guruma
Início: uke está curvado para a frente, com os braços rígidos. Primeira ação: uma puxada curta e seca na manga direita. Resposta: uke resiste puxando para trás e depois relaxa o braço. Próxima ação: no relaxamento, puxe de novo para que o pé direito dê um passo à frente e abaixe o nível para a carga. Recomeço: se uke mantém o braço travado e esticado e a sua cabeça não consegue passar pelo cotovelo, mude de pegada ou ataque por outro lado, em vez de mergulhar embaixo de uma barreira rígida.
Escolha a próxima ação a partir do que sobrou
Depois de qualquer primeiro ataque, confira três coisas: a manga ainda é sua, o peso de uke está para a frente e a sua cabeça está acima do quadril? As três: carregue. Manga, mas sem peso para a frente: continue alto e use um ataque para trás. Postura perdida, com uke por cima de você: abandone a projeção e proteja a sua posição. Use a ficha do mapa de técnicas (waza-map) para registrar qual resposta levou a qual caminho.
08 / DEFESAS E CONTRAGOLPES
Não deixe espaço embaixo do seu peito
Uma prevenção impede a entrada antes da carga; uma saída livra você depois de estar parcialmente carregado; um contragolpe aproveita a posição exposta de tori para pontuar ou assumir o controle. Mantenha essas três coisas separadas nos exercícios, porque elas exigem regras de intensidade diferentes.
Prevenção: preserve o braço da manga e a postura
Como uke, a abertura é o seu peso escorregando para a frente sobre uma manga direita puxada. Manter o seu próprio braço da manga dobrado e perto do corpo, e o quadril embaixo dos ombros, em vez de muito para trás com a cabeça baixa, elimina tanto a puxada quanto o espaço embaixo de você.
Saída: abaixe o quadril quando tori descer
Se a cabeça de tori chega embaixo de você, afundar o quadril e levar as pernas para trás pode afastar o seu centro da nuca dele antes que os seus pés saiam do tatame. Faça isso apenas antes do levantamento. Depois que você saiu do tatame, não agarre a cabeça ou o pescoço de tori nem chute para escapar: mantenha a conexão da manga e faça o ukemi que você aprendeu.
Exposição de tori a contragolpes
Um kata-guruma travado deixa tori baixo, com a cabeça perto do quadril de uke e as costas expostas, de modo que uke pode girar para as costas de tori ou virá-lo no chão (a recuperação de tori está na seção 9). Os contragolpes a partir dessa posição são lições próprias, com professor, e não algo para improvisar contra um parceiro cuja cabeça está presa embaixo.
Exercício de prevenção para uke: tori faz apenas a puxada da manga, em momentos variados, sem mudança de nível. A tarefa de uke é manter o cotovelo direito dobrado e o quadril embaixo dos ombros, para que a puxada mova o braço, mas não o pé direito. Quem observa acompanha o calcanhar direito de uke: se ele sobe, a abertura de que tori precisa estava lá. O treino de saída fica limitado a entradas sem levantamento, para que o pescoço de ninguém fique no meio de uma disputa de força.
09 / TRANSIÇÕES NO SOLO
Três finais depois do kata-guruma
Decida antes da repetição se ela continua no solo; a finalização decide de onde você começa.
Uke cai na sua diagonal frontal esquerda e você ainda segura a manga
O braço direito de uke já está conectado à sua mão esquerda, e uke normalmente cai perto do seu lado esquerdo. Desça o quadril ao lado direito de uke, prenda o braço direito dele embaixo do seu braço esquerdo e assente o tronco atravessado sobre o peito de uke para o kesa-gatame. Se uke gira na sua direção e o braço dele se solta, o kuzure-kesa-gatame ou o yoko-shiho-gatame podem se encaixar melhor. Dê nome à imobilização que a queda oferece, em vez de forçar a que você planejou.
Uke cai de lado e rola para ficar de bruços
Uma rotação apenas parcialmente controlada pode deixar uke virando para ficar de quatro. Mantenha a pressão do peito nas costas dele e evite passar o braço em volta do pescoço. Use uma virada que o seu professor tenha ensinado a partir dessa posição exata, ou volte a ficar em pé se o exercício for só de projeção.
Uke se joga com o peso sobre as suas costas
Agora esta é uma posição defensiva para você. Feche os cotovelos, mantenha a cabeça erguida e chegue a uma base estável de quatro, apoiado nas mãos e nos joelhos, ou recupere a guarda, como ensinado. Não continue segurando a perna na esperança de finalizar a projeção de joelhos: essa é uma ação diferente, com uma queda diferente, e ela mantém a sua cabeça presa embaixo de uke.
Exercício de transição: comece da queda na sua diagonal frontal esquerda, com a manga segura. Tori tem um tempo curto para assentar uma imobilização; uke faz uma saída combinada. Depois, comece da posição em que uke se jogou sobre você e treine a recuperação antes de ligar qualquer um dos finais a uma projeção completa. O guia de exercícios de ne-waza mostra como estruturar rodadas de posição.
10 / PROGRESSÃO DE TREINO
De uma mudança de nível a uma escolha no randori
Avance somente quando os dois parceiros e o professor concordarem. Mantenha um volume de levantamentos moderado em todas as etapas.
Puxar e abaixar sem carregar
Uke fica em pé; tori puxa a manga e entra com a mudança de nível, depois volta a ficar em pé sem tocar a perna. Avance quando o vídeo lateral mostrar as costas eretas no ponto mais baixo e uke relatar ter sido puxado para a frente em cada repetição.
Carregar e segurar
Acrescente o braço direito e assente uke atravessado sobre a nuca, enquanto as pontas dos pés de uke continuam perto do tatame. Segure por um instante e depois descarregue. Avance quando uke relatar uma carga centrada de forma consistente e você conseguir descrever onde está a faixa dele.
Levantamento baixo e rotação sobre um tatame grosso
Fique em pé só em parte e gire uke para a sua diagonal frontal esquerda, com a manga segura. Avance quando todas as quedas de uma série forem classificadas por uke como controladas e o professor aprovar aumentar a altura.
Escolha entre duas respostas
Uke ou se inclina para a frente sobre a puxada (carregar), ou se endireita e recua (o-uchi-gari ou recomeço, da seção 7). Comece apenas com entradas. Avance quando as escolhas erradas forem raras e você não estiver abaixando embaixo de um parceiro ereto.
Randori condicionado
Permita só o kata-guruma e uma preparação, com resistência combinada e regras para a versão que vocês usam. Registre as entradas tentadas, as cargas aceitas, as cargas recusadas e as vezes em que uke se jogou sobre você.
Uma tarefa concreta: carregar ou recusar
Na etapa 2, uke decide em segredo, antes de cada repetição, se fica equilibrado atravessado sobre você ou se desloca o peso um pouco para um lado. A tarefa de tori é dizer “centrado” ou “fora do centro” antes que uke diga qualquer coisa, e só subir com “centrado”. Isso treina a decisão mais importante para a segurança nesta técnica e dá uma pontuação simples: avaliações corretas em relação ao total. Veja os exercícios de uchi-komi e as dicas de randori para uma estrutura mais ampla.
11 / EXEMPLOS DE COMPETIÇÃO
Duas indicações de replay da IJF, com os seus limites
Duas das lutas listadas na biblioteca de técnicas da IJF sob o kata-guruma são usadas aqui. Os fatos conferidos são poucos e ficam separados das perguntas para assistir.
Indicação 1: Buchard x Nugaeva, Campeonato Europeu de 2026
A página de atleta da IJF de Amandine Buchard com o kata-guruma selecionado lista a luta Amandine Buchard (FRA, branco) x Liliia Nugaeva (RUS, azul) no Campeonato Europeu adulto de 2026, individual (conferido em 10 de outubro de 2026).
Verificado: a luta aparece na lista dessa atleta marcada como kata-guruma, e o título da página atribui a ação marcada a Amandine Buchard. Não verificado: pontuação, momento e preparação; o replay não foi assistido.
Indicação 2: Lombardo x Bae, Campeonato Mundial de 2025
A página da IJF com o título “Kata-Guruma by LOMBARDO Manuel” (kata-guruma de Manuel Lombardo) lista Manuel Lombardo (ITA, branco) x Dong-hyun Bae (KOR, azul) no Campeonato Mundial adulto de 2025, na Hungria, individual (conferido em 10 de outubro de 2026).
Verificado: a listagem e o título da página. Não verificado: a pontuação, a marcação de tempo, as pegadas e se a ação corresponde à forma clássica em pé deste guia.
Perguntas para assistir
- Antes de abaixar: quais pegadas estão seguras, e a mão de quem projeta chega a ir para a perna? Anote isso antes de qualquer outra coisa, porque isso determina qual variação, e portanto qual situação perante as regras, você está vendo.
- No ponto mais baixo: quem projeta está em pé, apoiado num joelho ou nos dois joelhos?
- Durante a carga: o tronco do parceiro fica atravessado sobre a nuca, ou a ação se parece mais com uma rotação por cima do ombro e do braço?
- Depois da queda: quem controla a posição no solo, e a manga ainda está segura?
- Na finalização: quem projeta continua em pé ou apoiado num joelho, com a cabeça erguida, ou a cabeça vai em direção ao tatame (o mergulho que as regras da IJF proíbem)?
Como a pegada na perna é punida no tachi-waza (técnicas em pé) pelas regras da IJF, a primeira pergunta é a mais útil: classifique cada vídeo como sem pegada na perna, com pegada na perna ou de joelhos antes de tirar qualquer lição dele, e leve só um detalhe da forma sem pegada na perna para exercícios voltados à competição. A sua categoria de idade ou o seu evento nacional podem aplicar regras diferentes das destes eventos adultos da IJF.
12 / VARIAÇÕES E TÉCNICAS PARECIDAS
Variações clássica, de joelhos e sem pegada na perna
A lista do Kodokan coloca o kata-guruma no te-waza, junto com outras técnicas de braço, entre elas o morote-gari e o kuchiki-taoshi. Silhuetas parecidas não fazem delas a mesma técnica.
| Técnica ou variação | O que comparar |
|---|---|
| Kata-guruma, forma clássica em pé | Kuzushi para a frente pela manga, uke carregado atravessado sobre a nuca, levantamento com as pernas, rotação para baixo. A forma usada neste guia. |
| Formas de joelhos | Tori vai a um ou aos dois joelhos e gira uke por cima sem ficar totalmente em pé. Levantamento mais baixo, ukemi diferente e outra exposição se falhar. Aprenda como um ramo separado. |
| Formas sem pegada na perna | Variações em que o braço direito não pega a perna. A descrição do vídeo do Efficient Judo fala em “IJF legal variations” (variações permitidas pela IJF); não verificamos quais formas são essas. |
| Ura-nage | Outro levantamento de todo o peso, mas um sacrifício: tori levanta pelo lado de uke e cai para trás. No kata-guruma, tori continua em pé e uke é levado atravessado sobre a nuca, de modo que a posição de falha é embaixo de uke, e não deitado de costas. |
| Seoi-otoshi | Uma projeção pelo ombro derrubando: uke passa por cima do ombro a partir de uma posição de costas para ele, e não atravessado sobre a nuca. Compare com o seoi-otoshi. |
| Morote-gari / kuchiki-taoshi | Te-waza separados na lista do Kodokan; nenhum dos dois é uma ação de carregar e levantar atravessado sobre a nuca. |
O que as regras da IJF dizem sobre pegadas na perna e mergulhos
As Regras de Arbitragem da IJF (Sport and Organisation Rules, o documento que a IJF lista como versão 21.01.2026) punem com shido (punição), no tachi-waza, “enganchar as pernas com a mão ou o braço, agarrar a perna, segurar a calça e tocar a perna da parte de cima da face interna da coxa para baixo” (tradução nossa do texto em inglês da IJF); pegar a perna só é possível quando os dois atletas estão claramente no ne-waza (luta no solo). A forma clássica deste guia, com o braço direito envolvendo a parte de trás da coxa de uke, se enquadra nessa redação; por isso, em competições pelas regras da IJF, ela é uma forma de estudo para o kata e o dojô, e só as variações sem pegada na perna são candidatas para o shiai (competição). O mesmo documento inclui o kata-guruma entre as técnicas que não podem ser executadas com um “mergulho” de cabeça e proíbe dar uma cambalhota para a frente enquanto uke está sobre os ombros ou as costas de tori. Eventos nacionais, de juniores e de veteranos podem aplicar as suas próprias regras; confirme com o seu professor ou com um árbitro a versão que vale para o seu evento, e registre nas suas anotações qual forma você está treinando.
Escolha uma variação por um motivo
Uma forma de joelhos pode servir para uma dupla em que ficar em pé embaixo da carga não é adequado; uma forma sem pegada na perna é a que vale a pena estudar se você compete pelas regras da IJF. Cada uma muda a queda, a posição de falha e o ne-waza que vem depois, então mude uma variável de cada vez. Se as suas tentativas estão escorregando para uma projeção pelo ombro, compare com o seoi-nage e o ippon-seoi-nage, em que uke passa por cima das suas costas, viradas para ele. A referência oficial de técnicas lista todos os cem nomes.
13 / SEU PRÓXIMO TREINO
Treine a decisão de carregar
Escolha a falha mais precoce da seção 6. Se for a posição carregada, use este registro:
- Situação
- Forma clássica pelo lado direito, parceiro cooperativo de tamanho parecido, etapa 2, carregar e segurar.
- Meu foco
- A tarefa de carregar ou recusar da seção 10, pontuada como avaliações corretas em relação ao total.
- O que eu notei
- Em cada carga “fora do centro”: o problema começou no meu passo (cabeça por fora do quadril de uke), na minha manga (uke não foi trazido por cima) ou no meu braço direito (uma parte grande demais de uke do lado das pernas)?
- Pergunta ao professor
- “Quando a carga fica fora do centro, isso começa no meu passo, na minha manga ou no meu braço direito?”
- Próxima decisão
- Continuar na etapa 2, passar ao levantamento baixo ou voltar a puxar e abaixar.
Exemplo ilustrativo, não são dados medidos: “Oito repetições de carregar e segurar com um parceiro de peso parecido. Avaliei corretamente seis vezes; os dois erros foram quando uke se deslocou para o lado das pernas e eu percebi tarde. O vídeo lateral mostrou a minha cabeça caindo nessas duas. Próxima sessão: o mesmo exercício, com foco na altura da cabeça, e depois perguntar se posso tentar o levantamento baixo.”
A anotação separa o que aconteceu, um motivo possível a conferir e o próximo passo. Guarde-a na ficha de registro de treino ou no Judo AI e leve ao seu professor um vídeo de uma carga centrada e um de uma carga fora do centro.
14 / FONTES E REVISÃO
Fontes e revisão editorial
- Kodokan: Names of Judo Techniques (nomes das técnicas do judô, em inglês): nome e classificação como te-waza
- IJF: definição do kata-guruma e biblioteca de vídeos de técnicas
- Vídeos: KODOKAN, “肩車 / Kata-guruma”; Efficient Judo, “Kata-guruma - Technical Breakdown”
- Indicações de competição: páginas de técnica de atletas da IJF indicadas na seção 11
- Documentos da Comissão de Arbitragem da IJF: IJF SOR Refereeing Rules (regras de arbitragem; disposições sobre pegar a perna e mergulhar de cabeça)
Conferência das fontes do texto original em inglês: 10 de outubro de 2026 · Versão em português: 13 de outubro de 2026. Prévia editorial do texto original em inglês; a revisão prática por um professor continua em aberto. Prévia editorial em português do Brasil.
Alcance da evidência: a definição da IJF sustenta a direção do kuzushi e a carga sobre a nuca e os ombros. A pegada, o passo e a queda são a forma clássica de ensino escolhida para este guia. A identidade e as descrições dos vídeos foram verificadas; os vídeos não foram transcritos. As entradas de competição são listagens, e não lutas analisadas.
Situação das regras: as disposições sobre pegar a perna e mergulhar de cabeça citadas na seção 12 foram lidas no PDF das Regras de Arbitragem da IJF indicado na página de documentos da Comissão de Arbitragem da IJF (conferido em 10 de outubro de 2026). A numeração dos artigos e as regras de categorias de idade e nacionais não foram revisadas.
Situação da revisão: por Judo AI. A cobertura editorial, as fontes e os links foram conferidos. Nenhum professor identificado revisou esta página, e nenhuma qualificação de ensino é reivindicada.
Todos os guias de estudo de técnica · Referência oficial das 100 técnicas · Guias de treino.