01 / VISÃO GERAL
Um levantamento pelo lado, finalizado com uma queda para trás
O ura-nage, a projeção para trás, é um ma-sutemi-waza (técnicas de sacrifício para trás): tori sacrifica a posição em pé caindo de costas, em linha reta. A definição da IJF dá a sequência da forma pelo lado direito: envolva a cintura de uke com os dois braços, pelo lado direito de uke, puxe-o para perto, levante e então caia para trás para projetar uke por cima do seu ombro esquerdo. Diferentemente do tomoe-nage ou do sumi-gaeshi, nenhum pé nem nenhuma perna entra em contato com uke; a projeção vem da pegada na cintura, do quadril e do arco do corpo.
Duas características tornam o ura-nage diferente da maioria das projeções. Primeiro, ele costuma ser estudado como uma resposta a uke que chega perto do seu lado ou gira para entrar, e não como um ataque que você começa a distância. Segundo, os dois parceiros caem de uma altura grande: uke gira para trás por cima de tori, e tori cai de costas com o peso de uke passando perto da cabeça. A ideia de segurança mais importante é, portanto, uma direção, e não um sinal de força: uke vai por cima do ombro esquerdo, ao lado da sua cabeça, e não por cima dela.
Nomes que você pode encontrar: ura nage, uranage, “back throw” (projeção de costas; o rótulo em inglês da IJF) e “rear throw” (projeção para trás). Um suplex da luta olímpica compartilha apenas o arco; a posição lateral e a direção por cima do ombro definem a técnica de judô.
Para quem é este guia: judocas que já têm ukemi (técnicas de amortecimento de queda) confiável para trás e com rolamento e que treinam com um professor que ensina projeções de sacrifício. Esta não é uma técnica para ser a primeira projeção aprendida, e ela não deve ser treinada sem tatames grossos e supervisão.
02 / VEJA A TÉCNICA
Observe o quadril chegar antes que alguém caia
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Os dois vídeos são demonstrações curtas; a descrição do segundo responsável pela publicação diz apenas “Demonstration of Ura-nage or ‘Rear Throw’” (demonstração do ura-nage, ou “projeção para trás”). Verificamos a identidade e as descrições, mas não transcrevemos os vídeos. Use o controle de câmera lenta do player: a parte importante da ação é muito curta.
Primeira vez, a aproximação: onde tori está em relação a uke no momento em que os braços se fecham? Anote se é ao lado de uke, atrás de uke ou na frente. Segunda vez, a altura: pause quando os braços se fecham e compare a altura do quadril de tori com a do quadril de uke. Um tori mais baixo é o sinal visível de que um levantamento é possível. Terceira vez, a saída: acompanhe o caminho de uke por cima de tori e anote por cima de qual ombro de tori uke passa e onde a cabeça de tori termina quando tori chega ao tatame.
Depois, compare as duas demonstrações em um único ponto, como a posição das mãos em volta da cintura ou o quanto tori gira enquanto cai. Uma diferença entre quem demonstra é uma pergunta para o seu professor, e não um motivo para misturar as duas versões numa mesma repetição.
03 / QUANDO USAR
Quando o lado direito de uke vem até você
A definição da IJF coloca tori ao lado direito de uke e perto dele. A pergunta prática é, portanto, como essa posição aparece. Ela raramente está disponível a partir de uma pegada padrão de frente, à distância de um braço.
Uke gira para entrar numa projeção para a frente pelo lado direito
Quando uke gira para entrar numa projeção de quadril ou de ombro pelo lado direito, as costas de uke chegam contra a sua frente e o quadril direito de uke fica no centro-direita do seu corpo. Se você interrompeu a projeção abaixando o quadril, você já está perto e abaixo do centro de uke. Um pequeno deslocamento do seu quadril para a sua direita traz o seu peito contra o lado direito de uke, que é a posição descrita pela definição da IJF. Proximidade, quadril mais baixo e o peso de uke voltando para você quando ele desiste da projeção formam a janela clássica do ura-nage; a seção 7 a transforma num exercício.
Uke acaba pressionado contra você, com o lado direito primeiro
Algumas trocas terminam com o flanco direito de uke contra o seu peito, por exemplo depois de uma quebra de pegada ou de uma disputa confusa saindo de um ataque que falhou. Se o quadril de uke está alto e perto do seu, envolver a cintura está disponível. Em lutas pelas regras da IJF, a forma como as suas mãos se encontram em volta da cintura importa (seção 12): envolver sem unir as mãos é tratado de forma diferente de mãos unidas.
Uke está ereto, com o peso nos calcanhares
O ura-nage levanta uke para cima e para trás. Um parceiro que já está ereto ou inclinado para trás tem o centro perto de onde você o quer. Um parceiro curvado para a frente, com o quadril para trás, é a situação oposta; tentar arqueá-lo para trás significa primeiro endireitá-lo contra a postura dele.
Quando a abertura não existe
Não tente o ura-nage quando uke está de frente para você, à distância de um braço, quando o quadril de uke está mais baixo que o seu ou quando uke está se afastando. Em cada um desses casos, você cairia para trás sem ninguém por cima, ou com uke caindo em cima de você em vez de passar por cima. Ficar diretamente atrás de uke também é uma relação diferente: levantar a partir dali leva ao ushiro-goshi ou ao utsuri-goshi, e não a um sacrifício por cima do ombro.
04 / COMO FUNCIONA
Fechar, abaixar, levantar, arquear, girar
A sequência da IJF (envolver, puxar para perto, levantar, cair para trás, por cima do ombro esquerdo) corresponde a cinco tarefas ligadas entre si. As verificações são coisas que um parceiro, um professor ou uma câmera conseguem observar.
Braços: envolva a cintura e puxe uke contra você
O seu braço esquerdo passa em volta das costas da cintura de uke e o seu braço direito pela frente, os dois na altura da faixa, e não em volta das costelas. Puxe o quadril direito de uke bem junto ao seu corpo. Verificação: uke não sente nenhum espaço entre o quadril direito dele e o seu abdômen. Braços em volta do peito deixam uke escorregar para baixo e para fora assim que você levanta.
Pernas e quadril: fique abaixo do centro de uke
Dobre os joelhos para que o seu quadril fique mais baixo que o de uke e um pouco atrás do quadril direito de uke, com os pés mais ou menos embaixo dos seus próprios ombros. Verificação: vista de lado, a sua faixa está abaixo da faixa de uke. Se ela estiver na mesma altura ou mais alta, não há de onde levantar.
Quadril: levante uke antes que as suas costas saiam da vertical
Empurre o quadril para cima e para a frente contra uke enquanto estica os joelhos, de modo que os pés de uke saiam do tatame enquanto você ainda está ereto. Verificação: os pés de uke saem do tatame antes que os seus ombros passem para trás dos seus calcanhares. Se você já estiver caindo quando o levantamento começa, uke normalmente continua de pé e cai em cima de você.
Tronco e cabeça: arqueie para trás e gire para a esquerda
Continue o impulso do quadril num arco para trás e na queda, girando a parte de cima do corpo para a esquerda, para que uke gire por cima do seu ombro esquerdo. A sua cabeça gira para longe do caminho de uke, em vez de ficar onde o peso de uke vai passar. Verificação: uke cai atrás e ao lado do seu ombro esquerdo, e não sobre o seu peito nem acima da sua cabeça.
Braços de novo: segure durante a rotação, solte para a queda
Mantenha a pegada na cintura durante a rotação, para que uke não caia antes da hora sobre a cabeça ou o pescoço. Combine com o seu professor quando soltar, para que uke consiga completar o ukemi. Verificação: uke relata ter sido levado por cima, e não largado, e cai com espaço para fazer o ukemi.
Como as fases dependem umas das outras
Cada tarefa prepara a seguinte. Uma pegada frouxa na cintura deixa uke escorregar durante o levantamento. Sem o quadril mais baixo, não há levantamento. Sem levantamento, a queda para trás não leva ninguém. Sem o giro, uke passa por cima da sua cabeça ou cai sobre o seu rosto. Quando o ura-nage falha, o erro visível muitas vezes aparece no fim (uma queda ruim), mas a causa costuma estar numa das três primeiras tarefas. É por isso que a seção 10 começa por fechar e abaixar e depois levantar sem cair, muito antes que alguém vá ao tatame.
O que a evidência estabelece e o que não estabelece
A definição da IJF estabelece a posição lateral, a pegada na cintura com os dois braços, o levantamento e a direção por cima do ombro esquerdo. Ela não estabelece a colocação das mãos, a posição dos pés, o quanto tori gira nem quando soltar. Essas são escolhas do seu professor; este guia só diz o que observar em cada uma.
05 / PONTOS-CHAVE
Quatro verificações para um ura-nage seguro e real
- Prenda o quadril antes de abaixar, e não depois. As verificações de mecânica da seção 4 descrevem posições; este ponto trata da ordem. Teste: uke relata se o puxão para o quadril veio antes ou depois de os seus joelhos dobrarem. Se você descer primeiro, o quadril de uke se afasta enquanto você está descendo.
- Levante quando o peso de uke voltar. Na janela do contragolpe, uke, ao desistir de uma projeção de quadril, dá um passo ou se inclina para trás contra você. Teste: uke diz “agora” quando começa a voltar; o seu impulso do quadril deve começar nessa palavra, e não depois que uke apoiou de novo os dois pés.
- Queixo encostado no peito, cabeça fora da linha de uke. Uke passa ao lado do seu ombro esquerdo, então a sua cabeça não pode estar nesse caminho quando você chega ao tatame. Teste: um professor atrás de você confere se o seu queixo continua baixo enquanto você vai para trás e se a sua cabeça termina fora do lugar onde uke cai; confirme a direção da cabeça que a versão do seu professor usa.
- Soltar é uma decisão que você conta. Teste: nos exercícios de decisão, conte as vezes em que você soltou e continuou em pé porque uke não subiu. Essas são decisões corretas, e não falhas.
Use um ponto por série. Um ponto que falha leva à seção 6: o primeiro a “uke escorrega para fora”, o segundo a “uke continua em pé”, o terceiro a “a minha cabeça recebe a queda”.
06 / ERROS E AJUSTES
Por que o seu ura-nage trava ou cai mal
Filme de lado, com o quadril dos dois parceiros visível. Encontre a primeira fase em que a relação dá errado.
“Eu acabo de costas e uke continua em pé.”
Causas possíveis: você começou a cair antes de levantar; o seu quadril não estava abaixo do de uke; ou uke afastou os pés com um passo enquanto você ia para trás. Como distinguir: na vista lateral, os pés de uke chegaram a sair do tatame? Se não, olhe a altura dos quadris no momento de envolver a cintura. Se as alturas estavam certas, mas uke se afastou com um passo, a pegada estava frouxa ou uke leu o movimento. Ajuste: no caso de cair primeiro, treine levantamentos sem cair até que os pés de uke subam todas as vezes. Avaliação: com o mesmo parceiro, conte os levantamentos em que os pés de uke saem do tatame antes que o ângulo das suas costas mude.
“Uke cai em cima de mim em vez de passar por cima.”
Causas possíveis: você caiu reto para trás sem o giro para a esquerda; uke estava avançado demais sobre a sua frente; ou o levantamento foi pequeno demais para uke girar. Como distinguir: onde uke caiu: sobre o seu peito (levantamento ou posição) ou acima da sua cabeça (sem giro)? Ajuste: trabalhe o giro isoladamente, levantando e girando um parceiro a partir de uma altura menor sobre um colchão de queda do seu lado esquerdo. Avaliação: o ponto de queda de uke em relação ao seu ombro esquerdo deve ser consistente ao longo de uma série antes que a altura aumente.
“Uke escorrega dos meus braços durante o levantamento.”
Causas possíveis: braços em volta das costelas em vez da cintura; um espaço entre o seu abdômen e o quadril de uke; ou uke girou para ficar de frente para você e abaixou o quadril. Como distinguir: olhe a altura dos seus braços no quadro pausado e pergunte a uke se ele sentia espaço entre os corpos. Ajuste: abaixe a pegada até a altura da faixa e puxe o quadril para perto antes de levantar. Avaliação: uke tenta uma escapada padrão e combinada em cada repetição; conte quantas vezes a pegada se mantém durante o levantamento.
“A minha cabeça ou o meu pescoço recebe a queda.”
Pare de projetar nessa sessão e avise o seu professor. Causas possíveis a conferir juntos: arquear para trás sem girar, o peso de uke passando por cima da sua cabeça, cair longe demais sem encostar o queixo no peito ou um tatame fino demais para a altura. Como distinguir: os vídeos lateral e de trás mostram onde estava a sua cabeça quando uke passou. Ajuste: apenas o que o professor identificar, normalmente um levantamento mais baixo e mais lento, com ênfase no giro, sobre um colchão de queda. Avaliação: a série seguinte, na mesma altura, deve terminar com a sua cabeça fora do caminho de uke todas as vezes. Dor é assunto para um profissional qualificado, e não para um registro de treino.
“Só funciona quando uke ataca com comprometimento total.”
Causas possíveis: você reconhece a janela tarde; você espera uke girar por completo; ou o seu quadril não está pronto para descer quando as costas de uke aparecem. Como distinguir: num ataque meio comprometido, você não viu a abertura ou viu e não chegou a tempo à posição mais baixa? Ajuste: uke faz giros em meia velocidade e meio comprometidos; você treina apenas fechar e abaixar, sem levantar. Avaliação: conte contra quantos giros parciais você chega à posição baixa e próxima, em comparação com a sessão anterior.
“A projeção entra, mas eu acabo embaixo.”
Causas possíveis: você soltou a cintura assim que uke saiu do seu ombro; você caiu chapado, sem giro, e por isso precisa rolar muito para alcançar uke; ou você girou para a sua direita, para longe de uke. Como distinguir: no vídeo de trás, olhe o seu braço direito no momento em que uke cai (ainda atravessado sobre o corpo de uke ou já livre) e para que lado o seu peito está virado um segundo depois. Ajuste: mantenha o braço direito atravessado sobre o abdômen de uke durante a queda e use-o como o trilho que você segue ao girar para a esquerda até ficar de bruços. Avaliação: no exercício de corrida depois da projeção, na seção 9, conte as rodadas em que você assenta uma imobilização antes que uke se vire para longe, em comparação com a sessão anterior com o mesmo parceiro.
07 / PREPARAÇÕES E COMBINAÇÕES
O ura-nage como resposta a um giro de entrada
Como o ura-nage costuma ser uma reação, esta seção se concentra na defesa que cria a posição, na escolha entre técnicas relacionadas e no recomeço quando o levantamento falha. Cada sequência é uma proposta de treino a ser adaptada.
CONTRAGOLPE A UMA PROJEÇÃO DE QUADRIL
Bloquear a projeção de quadril de uke → ura-nage
Início: pegadas padrão; uke gira para entrar numa projeção de quadril pelo lado direito, como o o-goshi ou o harai-goshi. Primeira ação: dobre os joelhos e empurre o quadril para a frente contra as costas de uke, para que a projeção pare. Resposta que permite o próximo passo: uke, travado, volta a ficar ereto ou tenta sair com um passo, com o quadril direito ainda contra você. Próxima ação: solte as pegadas no judogi, envolva a cintura pelo lado direito de uke, levante e finalize por cima do seu ombro esquerdo. Recomeço: se uke sai com um passo para a frente e fica de frente para você, não há posição lateral; solte e volte às pegadas.
ESCOLHER ENTRE DOIS LEVANTAMENTOS
Projeção de quadril bloqueada → ura-nage ou ushiro-goshi
Início: o mesmo bloqueio. Decisão: se você está ao lado direito de uke, com o peso de uke voltando, o ura-nage por cima do ombro esquerdo se encaixa. Se você está diretamente atrás de uke e ele continua curvado para a frente, levantá-lo sobre o seu quadril e deixá-lo cair na sua frente é a relação do ushiro-goshi. Recomeço: se uke abaixou o quadril abaixo do seu, nenhum dos dois levantamentos está disponível; continue em pé.
DEPOIS QUE O LEVANTAMENTO FALHA
Levantamento do ura-nage → soltar e continuar em pé
Início: os braços em volta da cintura, ao lado de uke. Primeira ação: o levantamento. Resposta: uke abaixa o quadril e gira em sua direção, de modo que os pés dele continuam no tatame. Próxima ação: não caia para trás. Solte e restabeleça as pegadas e a guarda. Se uke cair de joelhos durante a disputa, acompanhe até uma posição no solo que você conhece, permanecendo por cima. Recomeço: todo levantamento em que os pés de uke não saem do tatame termina em pé.
Por que não há uma longa lista de combinações
O ura-nage depende de uma posição específica, e mais entradas com nome significariam inventar situações que a evidência não sustenta. Uma janela confiável e um recomeço confiável são mais úteis. Registre qual projeção de uke deu a você a posição na ficha do mapa de técnicas (waza-map).
08 / DEFESAS E CONTRAGOLPES
Não ofereça o seu lado a tori com o quadril alto
Aqui, “defesa” significa o que uke faz diante do ura-nage de tori, o que muitas vezes quer dizer o que faz quem atacou com a projeção original quando ela é bloqueada.
Prevenção: gire para entrar com kuzushi e mantenha o quadril baixo
A janela do ura-nage se abre quando você gira para entrar numa projeção pelo lado direito sem desequilibrar tori e deixa o seu quadril mais alto que o de tori. Manter o quadril baixo durante a entrada e não ficar parado com as costas contra um parceiro que bloqueia fecham essa janela. Nos exercícios, treine sair rapidamente do giro quando a projeção é bloqueada, em vez de continuar empurrando.
Fuga: abaixe o quadril e fique de frente para tori
Se os braços de tori se fecham em volta da sua cintura, afunde o quadril abaixo do dele e gire para ficar de frente, tirando o seu quadril direito do contato. Faça isso antes que os seus pés saiam do tatame. Depois de levantado, não tente alcançar o tatame com o braço esticado nem agarre a cabeça de tori. Mantenha o queixo encostado no peito e faça o ukemi que o seu professor preparou.
Exposição de tori a contragolpes
Um ura-nage que falhou deixa tori de costas, possivelmente com uke por cima, o que é uma desvantagem no ne-waza (luta no solo). Esse custo é o motivo pelo qual o ponto-chave 4 de tori, soltar quando o levantamento falha, faz parte da técnica. Uke pode aprender a se assentar por cima a partir dessa posição, mas contragolpes durante a fase do arco só devem ser ensinados por um professor. Nunca largue o peso do corpo sobre um parceiro que está arqueando para trás.
Exercício de prevenção para quem ataca com a projeção de quadril: faça uma entrada de projeção de quadril pelo lado direito contra um parceiro que bloqueia com o quadril. Assim que sentir o bloqueio, saia do giro para ficar de frente para o parceiro e refaça a pegada. Quem observa anota uma única coisa: se o seu quadril direito ainda estava contra quem bloqueou depois do bloqueio. Nenhum levantamento ou queda é necessário.
09 / TRANSIÇÕES NO SOLO
Os dois estão no chão: quem gira primeiro?
O ura-nage também deixa tori de costas. A sua continuação depende de rolar em direção a uke e chegar por cima antes que uke se recupere.
Uke cai de costas atrás do seu ombro esquerdo
Gire para a esquerda, até ficar de bruços e em direção a uke, mantendo um braço atravessado sobre o corpo de uke. O seu peito pode descer atravessado sobre a parte de cima do corpo de uke para o yoko-shiho-gatame ou, se você chegar pelo lado da cabeça de uke, para o kami-shiho-gatame; se um dos braços de uke já estiver preso embaixo do seu braço quando você chegar, o kuzure-kami-shiho-gatame pode se encaixar. Assente a imobilização que corresponde ao lugar onde você chegou.
Uke cai de lado ou se vira de bruços
Uke pode rolar para longe antes que você gire. Mantenha o contato com o quadril ou com as costas dele e chegue a uma posição por cima, de joelhos. Siga com uma virada que o seu professor tenha ensinado a partir dessa posição exata. Não puxe a cabeça nem o pescoço para virar uke.
A projeção falha e uke cai em cima de você
Você está de costas embaixo de uke. Proteja o pescoço, coloque os joelhos entre você e uke e recupere uma posição defensiva, como ensinado. Não mantenha a pegada na cintura tentando um segundo arco a partir do tatame.
Exercício de transição: comece com os dois parceiros deitados na posição depois da projeção (tori de costas, uke atrás do ombro esquerdo de tori). Ao sinal, tori gira para assentar uma imobilização; uke tenta se virar para longe. Rodadas curtas, depois troquem. Acrescentem de novo a projeção só quando essa corrida estiver familiar. Veja o guia de exercícios de ne-waza para a estrutura.
10 / PROGRESSÃO DE TREINO
Do levantamento em pé ao exercício de reação
Cada etapa retira um apoio. Só o professor decide quando as quedas começam. Use tatames grossos ou um colchão de queda em toda etapa que inclua uma queda.
Fechar e abaixar
Uke fica parado, com o lado direito voltado para você. Você envolve a cintura e abaixa o quadril abaixo do de uke, depois volta a ficar em pé. Avance quando o vídeo lateral mostrar a sua faixa abaixo da de uke em todas as repetições e uke não sentir espaço no quadril.
Levantar sem cair
A partir da posição fechada, levante um pouco os pés de uke do tatame com um impulso do quadril e coloque-os de volta. Avance quando os pés de uke saírem do tatame enquanto as suas costas continuam perto da vertical.
Levantar, girar e cair sobre um colchão de queda
Com o professor presente, complete a projeção numa altura baixa sobre um colchão de queda do seu lado esquerdo. Avance quando uke cair ao lado do seu ombro esquerdo todas as vezes e a sua cabeça ficar livre.
Exercício de reação
Uke faz uma entrada lenta de projeção de quadril pelo lado direito. Você bloqueia e então escolhe: ura-nage se o quadril direito de uke estiver contra você e o quadril dele estiver alto, ou recomeço se uke sair do giro. Comece apenas com entradas e levantamentos, sem quedas. Avance quando as suas escolhas corresponderem à posição na maioria das repetições.
Randori condicionado
Combinem com quais projeções de quadril uke pode atacar e se as projeções de ura-nage são permitidas na rodada. Registre as janelas reconhecidas, os levantamentos feitos, as quedas e os recomeços.
Uma tarefa concreta: levantar ou soltar
Na etapa 4, uke decide antes de cada entrada se continua alto, com o quadril em contato, ou se abaixa o quadril e sai do giro depois do bloqueio. Tori diz “levantar” ou “soltar” antes de agir. Conte as escolhas corretas em relação ao total. A tarefa treina o reconhecimento da janela e a disciplina de não cair para trás embaixo de um parceiro que não foi levantado. Ela complementa o guia de exercícios de uchi-komi ao acrescentar uma decisão.
11 / EXEMPLOS DE COMPETIÇÃO
Duas indicações de replay da IJF, com os seus limites
A biblioteca de técnicas da IJF lista estas lutas sob o ura-nage. As listagens e as páginas de atletas foram conferidas; os replays não foram assistidos.
Indicação 1: Nagayama x Lesiuk, Campeonato Mundial de 2026
A página de atleta da IJF de Ryuju Nagayama com o ura-nage selecionado lista Ryuju Nagayama (JPN, branco) x Artem Lesiuk (UKR, azul) no Campeonato Mundial adulto de Baku 2026, individual (conferido em 10 de outubro de 2026).
Verificado: a luta aparece nessa lista marcada como ura-nage, e o título da página atribui a ação marcada a Ryuju Nagayama. Não verificado: se ela pontuou, quando aconteceu e o que veio antes.
Indicação 2: Polleres x Myers, Grand Slam da Hungria 2026
A página de atleta da IJF de Michaela Polleres com o ura-nage selecionado lista Michaela Polleres (AUT, branco) x Melissa Myers (USA, azul) no Grand Slam da Hungria 2026 (conferido em 10 de outubro de 2026).
Verificado: a listagem, e o título da página atribui a ação marcada a Michaela Polleres. Não verificado: pontuação, marcação de tempo ou tática.
Perguntas para assistir
- O que aconteceu logo antes de envolver a cintura: um dos atletas girou para entrar numa projeção, ou os corpos se juntaram numa disputa confusa?
- Onde estava quem projetou: ao lado do parceiro, atrás ou na frente? Compare com a seção 3.
- O quadril de quem projetou estava abaixo do quadril do parceiro quando os braços se fecharam, e os pés do parceiro saíram do tatame antes da queda?
- Por cima de qual ombro o parceiro passou, e quem ficou por cima depois?
Classifique o que você vê com dois rótulos antes de usá-lo: posição lateral ou por trás (ura-nage ou um levantamento de koshi-waza), e mãos unidas ou não (a observação sobre as regras na seção 12). Um vídeo que você não consegue classificar nos dois pontos é um exercício para assistir, e não um modelo para o seu treino.
12 / VARIAÇÕES E TÉCNICAS PARECIDAS
O ura-nage entre levantamentos e sacrifícios
A lista do Kodokan coloca o ura-nage no ma-sutemi-waza, junto com o tomoe-nage e o sumi-gaeshi. Vários levantamentos em pé parecem semelhantes num único quadro.
| Técnica | O que comparar |
|---|---|
| Ura-nage | Pelo lado direito de uke, braços em volta da cintura, levantamento, tori cai de costas, uke passa por cima do ombro esquerdo. |
| Ushiro-goshi | Koshi-waza (técnicas de quadril) por trás: uke é levantado sobre o quadril de tori e cai na frente; tori continua em pé. |
| Utsuri-goshi | Koshi-waza: uke é levantado e transferido para o outro quadril de tori; tori continua em pé. |
| Kata-guruma | Também levanta todo o peso de uke, mas tori continua em pé e leva uke atravessado sobre a nuca, pela frente; não há queda de sacrifício. |
| Tomoe-nage / sumi-gaeshi | Ma-sutemi-waza em que o pé ou a perna de tori entra em contato com uke; uke é puxado para a frente por cima de tori, e não levantado pelo lado. |
Variações que mudam a tarefa
Posição das mãos: mãos unidas, uma mão na faixa ou uma mão aberta sobre o abdômen mudam, cada uma, a forma como a pegada sobrevive ao levantamento, e unir as mãos tem uma consequência nas regras (abaixo). Escolha a versão do seu professor e mantenha-a constante enquanto aprende. Quantidade de giro: algumas versões caem quase reto para trás, com só uma pequena torção; outras giram mais. O ponto de queda e a segurança da cabeça mudam com o giro, então trate uma mudança como uma nova progressão, recomeçando na etapa 3. Pegadas no judogi em vez de envolver a cintura: levantar pelo lado com pegadas no judogi é um problema de controle diferente; identifique-o claramente, em vez de chamar todo levantamento para trás de ura-nage.
O que as regras da IJF dizem sobre a pegada na cintura
As Regras de Arbitragem da IJF (Sport and Organisation Rules, o documento que a IJF lista como versão 21.01.2026) punem com shido um “abraço de urso (bear hug) no tachi-waza se tori unir as duas mãos para formar um círculo” ou segurar o braço oposto (tradução nossa do texto em inglês da IJF). O mesmo texto permite um abraço de urso com as mãos não unidas e um em que tori segura a própria manga com a mão oposta, e não prevê shido para mãos unidas se tori já tinha um kumikata (pegada) estável ou se está vindo do ne-waza para o tachi-waza. Para o ura-nage, isso significa que a posição das mãos é uma escolha de regras, além de uma escolha de controle: decida com o seu professor qual versão treinar para shiai (competição) pelas regras da IJF. O documento não menciona o ura-nage pelo nome; as regras de categorias de idade e as regras nacionais sobre sacrifícios para trás não foram revisadas e continuam sendo uma pergunta para o seu professor ou para um árbitro.
Se as suas tentativas estão escorregando para uma projeção de quadril por trás, leia o guia do ushiro-goshi. Outros contragolpes a projeções para a frente neste site incluem o uchi-mata-gaeshi e o harai-goshi-gaeshi.
13 / SEU PRÓXIMO TREINO
Treine a escolha entre levantar e soltar
Comece pela primeira falha que você encontrou na seção 6. Se uke continua em pé quando você cai, use este registro:
- Situação
- Destro, etapa 2, levantar sem cair, parceiro de tamanho parecido.
- Meu foco
- Faixa abaixo da faixa de uke ao envolver a cintura; os pés de uke fora do tatame enquanto as minhas costas continuam eretas.
- O que eu notei
- No vídeo lateral, em quais repetições os pés de uke subiram? O que estava diferente no meu quadril?
- Pergunta ao professor
- “Quando o levantamento falha, é a altura do meu quadril, a altura dos meus braços ou o espaço no quadril de uke?”
- Próxima decisão
- Repetir a etapa 2, passar às projeções sobre o colchão de queda ou voltar a fechar e abaixar.
Exemplo ilustrativo, não são dados medidos: “Dez levantamentos sem cair. Os pés de uke saíram do tatame em seis. Nos quatro que falharam, o vídeo mostrou os meus braços em volta das costelas de uke. Próxima sessão: o mesmo exercício, com os braços na altura da faixa; perguntar ao professor se posso tentar projeções sobre o colchão de queda depois disso.”
Guarde-o na ficha de registro de treino ou no Judo AI. Leve ao seu professor um levantamento bem-sucedido e um que falhou, em vídeo.
14 / FONTES E REVISÃO
Fontes e revisão editorial
- Kodokan: Names of Judo Techniques (lista de nomes de técnicas do judô, em inglês) — nome e classificação como ma-sutemi-waza.
- IJF: definição do ura-nage e biblioteca de vídeos de técnicas
- Vídeos: KODOKAN, “裏投 / Ura-nage”; Efficient Judo, “Ura-nage - Demo”
- Indicações de competição: páginas de técnica de atletas da IJF indicadas na seção 11
- Documentos da Comissão de Arbitragem da IJF: IJF SOR Refereeing Rules (regras de arbitragem; disposição sobre o abraço de urso)
Conferência das fontes do texto original em inglês: 10 de outubro de 2026 · Versão em português: 13 de outubro de 2026. Prévia editorial do texto original em inglês; a revisão prática por um professor continua em aberto. Prévia editorial em português do Brasil.
Alcance da evidência: a definição da IJF sustenta a posição lateral, a pegada na cintura, o levantamento e a direção por cima do ombro esquerdo; a colocação das mãos, a posição dos pés, o giro e o momento de soltar não são estabelecidos por essas fontes. A identidade e as descrições dos vídeos foram verificadas, não transcritas. As entradas de competição são listagens, e não lutas analisadas.
Situação das regras: a disposição sobre o abraço de urso citada na seção 12 foi lida no PDF das Regras de Arbitragem da IJF indicado na página de documentos da Comissão de Arbitragem da IJF (conferido em 10 de outubro de 2026). A numeração dos artigos e as regras de categorias de idade e nacionais sobre projeções de sacrifício não foram revisadas.
Situação da revisão: por Judo AI. A cobertura editorial, as fontes e os links foram conferidos. Nenhum professor identificado revisou esta página, e nenhuma qualificação de ensino é reivindicada.
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