01 / VISÃO GERAL
Uma imobilização em estola virada para as pernas
O ushiro-kesa-gatame (後袈裟固, imobilização em estola “invertida” ou “de trás”) é um osaekomi-waza, uma das imobilizações do katame-waza (técnicas de controle no solo). A definição da IJF é curta: uma imobilização parecida com o kesa-gatame, “mas executada voltada para as pernas do adversário, em vez de para a cabeça dele” (traduzido do texto da IJF em inglês). Essa mudança de orientação decide qual lado do seu corpo toca uke, quais partes de uke ficam livres e de onde a saída costuma vir.
Nossa convenção: uke está deitado de costas. Você, tori, senta-se do lado direito de uke, voltado para os pés dele, de modo que o seu quadril e as suas costelas do lado esquerdo ficam contra o lado direito e o peito de uke. O braço direito de uke é o braço mais próximo; o braço esquerdo de uke é o braço mais distante; a cabeça de uke fica atrás das suas costas. Em toda esta página, “direito” e “esquerdo” indicam o braço ou a perna da pessoa mencionada. Trabalhar pelo lado esquerdo de uke espelha todas as instruções.
Em comparação com o kesa-gatame, a grande diferença é que nenhum braço envolve a cabeça de uke. No kesa-gatame feito pelo mesmo lado, o texto da IJF coloca a mão esquerda de tori segurando o judogi sob a axila direita de uke e o braço direito de tori em volta, por trás do pescoço. No ushiro-kesa-gatame, os seus braços trabalham atravessados sobre o peito e os braços de uke, e a cabeça e os ombros de uke ficam atrás de você. Isso poupa o pescoço, mas significa que sentar, girar em direção a tori por trás das suas costas e empurrar o seu quadril são as saídas a planejar desde a primeira repetição.
Para quem é: judocas que já treinam ne-waza (luta no solo) supervisionado, conseguem bater e soltar com segurança e conhecem o kesa-gatame; iniciantes devem aprendê-lo primeiro com um professor. O Kodokan lista o ushiro-kesa-gatame como uma técnica própria; ele não é outra grafia do kesa-gatame nem do kuzure-kesa-gatame.
02 / VEJA A IMOBILIZAÇÃO E AS SAÍDAS
Observe primeiro a direção para onde tori está voltado, depois as saídas
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Os dois vídeos são do Kodokan. O primeiro mostra a imobilização na série de 100 técnicas KODOKAN × IJF ACADEMY; o segundo é a demonstração do próprio Kodokan de saídas desta imobilização. Verificamos apenas a identidade, o responsável pela publicação, a duração e a data; as observações abaixo são perguntas a responder enquanto você assiste, e não um resumo da demonstração.
1ª observação: orientação. Antes de olhar para as mãos, confirme para onde tori está voltado e qual lado do tronco de tori toca uke. Anote se a demonstração é feita pelo lado direito ou pelo lado esquerdo de uke; se for pelo esquerdo, espelhe a nossa convenção antes de comparar.
2ª observação: os dois braços. Descubra onde o braço mais próximo de uke termina em relação ao corpo de tori e para onde vai a outra mão de tori, atravessando o corpo de uke. O texto da IJF não fixa essas pegadas, então anote o que você vê e confirme com o seu professor.
3ª observação: a base. Olhe para as pernas de tori: quão abertas estão, qual perna está mais perto das pernas de uke e se o quadril de tori fica no tatame ou sobe.
Vídeo das saídas. Pause cada saída um pouco antes de ela dar certo e diga qual foi o primeiro controle que mudou; a seção 8 traz os três caminhos de saída em que ela pode ser classificada, e a seção 6, o diagnóstico de cada um.
03 / QUANDO APLICAR
Onde o ushiro-kesa-gatame se encaixa numa troca no solo
Você já está no kesa-gatame e uke ataca as suas pernas
No kesa-gatame, as suas pernas ficam perto dos pés de uke. Se uke continua tentando enganchar a sua perna de trás, girar o quadril para ficar voltado para as pernas de uke é uma opção que o professor pode ensinar, desde que você mantenha o braço mais próximo enquanto gira. Se uke já está enganchando a sua perna, o giro pode simplesmente entregar a perna; solte-a ou proteja-a primeiro.
Você passa as pernas, ou uke gira em direção a tori a partir do controle lateral
Duas chegadas deixam você do lado direito de uke, de costas para a cabeça dele: uma passagem que termina com você voltado para o quadril, e um giro em direção a tori a partir do yoko-shiho-gatame em que uke puxa o cotovelo mais próximo na sua direção. O sinal de reconhecimento é o mesmo nos dois casos: os joelhos de uke estão longe do seu quadril e o cotovelo direito ainda está fora da linha do seu quadril, perto o bastante para ser preso. Se qualquer uma das duas condições for falsa, a imobilização ainda não está disponível (os passos estão na seção 7).
Quando esta imobilização é a escolha errada
Não a use quando a cabeça e os ombros de uke já estão levantados do tatame atrás de você, quando o braço mais próximo está livre e fazendo barreira no seu quadril, ou quando você só consegue ficar por cima deitando para trás sobre o rosto ou o pescoço de uke. Nesses casos, recupere o controle lateral ou recomece a rodada.
04 / COMO FUNCIONA O CONTROLE
Cinco partes que mantêm uke de costas
A definição da IJF fixa apenas duas coisas: uma imobilização do tipo kesa, com tori voltado para as pernas. As pegadas abaixo seguem a forma comumente ensinada pelo lado direito de uke; compare cada parte com o vídeo do Kodokan e confirme-a com o seu professor.
Braço mais próximo: o seu braço direito prende o braço direito de uke
O braço direito de uke é o que está mais perto do seu corpo. Na forma comumente ensinada, você segura esse braço contra o seu lado direito, normalmente controlando a parte de cima do braço perto do cotovelo, e não apenas o pulso ou o punho da manga. A função é impedir que o cotovelo entre entre os corpos como barreira ou alcance o seu quadril mais distante. Verifique: peça a uke que tente trazer o cotovelo direito para baixo, na direção do próprio quadril. Se ele escorregar para fora sem que o seu tronco se mova, o controle está baixo demais no braço ou frouxo demais contra o seu lado. Não estique o braço atravessado sobre o seu corpo (veja o último problema na seção 6).
Lado mais distante: o seu braço esquerdo atravessa o peito
O seu braço esquerdo atravessa o peito de uke na direção do lado mais distante (o esquerdo de uke). Ele pode passar por baixo do braço esquerdo de uke até a faixa ou a lateral do judogi, ou controlar esse braço de outra forma; confira qual versão o vídeo do Kodokan e o seu professor usam. De qualquer modo, o braço esquerdo impede uke de girar para longe de você e impede que o braço mais distante passe por cima das suas costas. Verifique: uke consegue tirar o ombro esquerdo do tatame enquanto o seu braço continua ali? Se consegue, o seu antebraço está apenas apoiado em uke, em vez de ligar o lado mais distante ao seu tronco.
Tronco: as suas costelas e costas do lado esquerdo se assentam sobre o peito de uke
Como você está voltado para as pernas, o contato é feito pelo lado esquerdo e pelas costas da sua caixa torácica contra o peito e o lado direito de uke, e não pelo seu peito contra o dele. Incline-se levemente para trás, sobre uke, para que o peso fique dividido entre esse contato e o seu quadril no tatame. Verifique: se você se senta totalmente ereto, uke consegue respirar, levantar e girar com facilidade. Se uke sente o seu peso no rosto ou na garganta, você se inclinou demais e deixou de imobilizar o tronco.
Quadril e pernas: uma base larga que consegue girar
Sente-se com o quadril perto do lado de uke e as pernas abertas o bastante para impedir um rolamento em qualquer direção, para o lado das suas costas ou por cima da sua frente. Uma das pernas vai ficar mais perto das pernas de uke; mantenha esse joelho dobrado e vigie-o. Verifique: peça a uke uma ponte lenta e combinada. Se você balança e apoia uma mão no tatame, a sua base está estreita ou o seu quadril está longe demais de uke. Se os pés de uke alcançam a sua perna mais próxima sem muito esforço, essa perna está perto demais.
Cabeça e olhos: observe as pernas, sinta a cabeça
Você está voltado para o quadril e as pernas de uke, então consegue ver chegar um ataque às pernas, mas não uke sentando atrás de você. Mantenha a cabeça levantada o bastante para ler o quadril de uke e use o contato nas suas costas para sentir os ombros subirem. Verifique: durante uma rodada cooperativa, peça a uke que comece a sentar. Você sentiu isso pelas costas antes que os ombros saíssem do tatame?
05 / PONTOS-CHAVE
Quatro indicações de tempo, cada uma com uma verificação
A seção 4 descreve onde cada parte fica. Estas indicações tratam de ordem e de resposta: o que fazer primeiro e o que cada movimento de uke deve desencadear.
- Prenda o cotovelo mais próximo antes que o seu quadril se assente. O braço direito pega a parte de cima do braço direito de uke enquanto você ainda está girando; o quadril esquerdo se encaixa depois. Verificação: ao longo de uma série de entradas cooperativas, pergunte a uke se o cotovelo esteve livre em algum momento quando o seu quadril tocou o lado dele.
- Responda à ponte movendo a base, nunca apoiando no tatame a mão que prende. Abra a base e desloque-se na direção da ponte enquanto o braço direito continua no braço mais próximo. Verificação: durante uma ponte combinada, quem observa olha só para a sua mão direita; se ela tocar o tatame, o braço foi solto.
- Trate o quadril de uke girando na sua direção como o sinal das pernas. Afaste o joelho mais próximo girando quando o quadril gira, antes que os pés cheguem. Verificação: filme do lado dos pés e compare o quadro em que o quadril começa a girar com o quadro em que a sua perna se move.
- Quando dois controles se perderam, troque de imobilização em vez de consertar. Um controle perdido pode ser reconstruído no lugar; dois (por exemplo, o braço mais próximo e o contato do tronco) significam o caminho da seção 7 para aquela reação. Verificação: o professor aponta a rodada em que você continuou apertando depois da segunda perda.
As verificações são, de propósito, um retorno de uke ou de quem observa: nesta imobilização, quem está por cima fica de costas para a cabeça, então tori muitas vezes se sente seguro enquanto uke já está levantando um ombro atrás dele.
06 / ERROS E AJUSTES
Por que o ushiro-kesa-gatame se desfaz
Diga qual foi o primeiro controle que mudou, e não a última coisa que aconteceu, e teste cada ajuste com o mesmo parceiro, uma única saída e a resistência combinada.
“Uke senta atrás das minhas costas.”
Causas possíveis: o contato do seu tronco está baixo demais, perto do estômago de uke, e os ombros ficam livres; você está sentado ereto, sem se inclinar para trás; ou o braço do lado mais distante não está segurando o ombro esquerdo no chão. Como diferenciar: observe do lado da cabeça. Se a cabeça e os ombros de uke sobem juntos enquanto as suas costas estão sobre o estômago dele, o contato está baixo demais. Se um ombro (normalmente o mais distante) sobe primeiro, olhe para o seu braço esquerdo.
Ajuste: deslize o quadril e o contato das suas costas para cima, na direção da linha da axila de uke, e depois incline-se para trás de novo. Avalie: defina com antecedência um bloco de rodadas em que uke tenta apenas sentar, com o esforço combinado; registre se os ombros saíram do tatame e depois repita o mesmo bloco a partir da sua posição antiga e compare.
“O braço mais próximo sai de baixo do meu controle.”
Causas possíveis: você segura o punho da manga ou o pulso, então uke dobra o cotovelo e o puxa para fora; o seu braço direito está apertando, mas o seu quadril está afastado do lado de uke, deixando um vão por onde puxar; ou você solta para apoiar uma mão quando uke faz ponte. Como diferenciar: pergunte a uke o que se moveu primeiro, o cotovelo ou o braço inteiro. Confira também se a sua mão direita saiu do braço durante uma ponte.
Ajuste: para a pegada no punho da manga, leve o controle para a parte de cima do braço; para o vão, deslize o quadril até que ele toque o lado de uke; para o apoio da mão, veja a indicação sobre a ponte na seção 5. Mude apenas aquilo que corresponde à causa. Avalie: uke tenta apenas recuperar o braço. Conte as rodadas em que o cotovelo passa da linha do seu quadril antes e depois da mudança.
“Uke faz ponte e eu tombo para trás.”
Causas possíveis: a perna do lado para onde você cai está estreita demais; você se inclina tanto para trás que o seu peso fica em cima de uke, e não ao lado; ou você recebe a ponte com os braços rígidos. Como diferenciar: anote a direção. Tombar para o lado das suas costas (a cabeça de uke) costuma indicar inclinação demais; tombar por cima da sua frente significa que a perna da frente não consegue segurar você.
Ajuste: ou abra mais a base do lado para onde você tombou, ou reduza um pouco a inclinação; não as duas coisas ao mesmo tempo. Avalie: um número fixo de pontes lentas combinadas e depois o mesmo número com um esforço um pouco maior, registrando se você apoiou uma mão.
“As pernas de uke pegam a minha perna da frente.”
Causas possíveis: a sua perna mais próxima está esticada na direção dos pés de uke; o seu quadril escorregou para baixo, na direção da cintura de uke, quando você se sentou; ou você observou a parte de cima do corpo e não viu o quadril de uke girando na sua direção. Como diferenciar: filmar do lado dos pés mostra se a perna estava ao alcance antes de uke se mover ou se ficou ao alcance porque você escorregou.
Ajuste: se a perna estava ao alcance desde o início, recolha o pé mais próximo para trás do seu quadril para que o joelho continue dobrado; se você escorregou, recoloque o quadril na altura das costelas de uke, e não da cintura. Se a perna já estiver presa, use a forma de soltar que o seu professor ensinou; nunca torça para fora um joelho preso enquanto há peso sobre ele. Avalie: uke tenta apenas alcançar a sua perna com os pés, a partir de um início fixo, e você conta os primeiros contatos.
“Uke diz que o cotovelo ou o ombro preso está doendo.”
Causas possíveis: o braço mais próximo está esticado atravessado sobre o seu corpo ou dobrado contra a articulação; ou a sua inclinação está empurrando o ombro, e não o peito. Resposta: solte imediatamente quando uke bater ou falar e depois reconstrua a imobilização com o professor observando. Uma batida por dor na articulação significa que a imobilização virou uma chave de braço que ninguém combinou treinar, e não que a imobilização funcionou.
07 / ENTRADAS E TROCAS DE IMOBILIZAÇÃO
Como entrar e como trocar de imobilização quando uke reage
Cada caminho começa de forma cooperativa: uke produz a reação indicada quando ela é pedida, e só mais tarde escolhe a reação livremente.
PARA ENTRAR NO USHIRO-KESA-GATAME
Kesa-gatame → Ushiro-kesa-gatame quando uke busca as suas pernas
Início: kesa-gatame pelo lado direito de uke, como a IJF o descreve: a sua mão esquerda segurando o judogi sob a axila direita de uke e o seu braço direito por trás do pescoço. Reação: uke gira o quadril na sua direção e os pés começam a buscar a sua perna de trás. Próxima ação: mantenha o braço mais próximo contra o seu corpo enquanto gira sobre o quadril na direção das pernas de uke. O seu braço direito sai de trás do pescoço e pega a parte de cima do braço direito de uke antes que a sua mão esquerda solte a pegada sob a axila; depois, o seu braço esquerdo atravessa o peito. Nunca deixe as duas mãos fora do braço mais próximo ao mesmo tempo, e afaste as pernas dos pés de uke enquanto gira. (Essa troca de mãos é a nossa leitura das duas orientações, e não uma sequência tirada de uma fonte; confira-a com o seu professor.) Pare: se o pé de uke já enganchou a sua perna, ou se o braço mais próximo se soltar durante o giro, pare e recomece.
PARA ENTRAR NO USHIRO-KESA-GATAME
Passagem pelo lado direito → Sentar voltado para as pernas
Início: você passou as pernas de uke pelo lado direito dele, com contato do peito. Reação: uke gira na sua direção e puxa o cotovelo direito para dentro para bloquear o seu quadril. Próxima ação: se o cotovelo ainda estiver fora do seu quadril, prenda-o com o braço direito e encaixe o quadril esquerdo contra o lado de uke, voltado para as pernas. Depois, atravesse o braço esquerdo. Pare: se o cotovelo ou um joelho já estiver entre vocês, mantenha o controle lateral e trabalhe contra a barreira.
PARA SAIR DO USHIRO-KESA-GATAME
Ushiro-kesa-gatame → Kesa-gatame quando uke trabalha nas suas costas
Início: a imobilização como foi descrita. Reação: uke empurra as suas costas com a mão mais distante ou tenta sentar atrás de você, e as pernas de uke não estão ameaçando. Próxima ação: gire para o outro lado, de modo a ficar voltado para a cabeça de uke. O seu braço direito passa em volta, por trás do pescoço, até o judogi atrás do ombro, e a sua mão esquerda pega o judogi sob a axila direita de uke, como na descrição do kesa-gatame da IJF. Pare: se uke já estiver sentado além do seu ombro, o giro pode entregar as suas costas a uke; em vez disso, recupere uma posição por cima.
PARA SAIR DO USHIRO-KESA-GATAME
Ushiro-kesa-gatame → Lado da cabeça quando uke senta
Início: a imobilização, com o seu braço esquerdo atravessado sobre o peito de uke. Reação: uke levanta os ombros e gira em direção a tori, rumo às suas costas. Próxima ação: você já está voltado para os pés, como nas imobilizações pelo lado da cabeça. Deslize o quadril em volta da cabeça de uke mantendo as costas contra o peito dele e use o braço esquerdo por baixo do ombro mais distante para uma pegada na faixa, buscando o kami-shiho-gatame, ou prenda o braço mais próximo por cima para o kuzure-kami-shiho-gatame. Pare: se as suas costas saírem de cima de uke durante o deslizamento, uke normalmente vai sentar no espaço que se abriu. Nas primeiras rodadas, pare aí e repita o deslizamento.
PARA SAIR DO USHIRO-KESA-GATAME
Ushiro-kesa-gatame → Controle lateral quando o quadril de uke gira em direção a tori
Início: a imobilização. Reação: uke gira o quadril na sua direção e traz um joelho para cima, na direção das suas costas ou do seu quadril. Próxima ação: vire o peito para baixo, sobre o peito de uke, levando as pernas para trás, rumo ao yoko-shiho-gatame. O controle do braço mais próximo normalmente precisa ser abandonado enquanto você gira; estabeleça os novos controles antes de soltá-lo. Pare: um joelho atravessado inteiramente sobre a sua barriga significa que uke voltou à guarda; recomece.
08 / SAÍDAS E CONTRAGOLPES
Sair de uma imobilização que deixa a cabeça livre
Prevenção: proteja o cotovelo mais próximo e impeça tori de se sentar
Para uke, o melhor momento é antes que tori se assente: mantenha o cotovelo direito colado às suas próprias costelas enquanto tori dá a volta e gire na direção de tori antes que o quadril dele chegue.
Saída: use a cabeça e os ombros livres
O ushiro-kesa-gatame não controla a sua cabeça, então os caminhos de saída decorrem do que tori consegue e não consegue alcançar. Cada caminho ataca um controle e é aberto por um erro específico de tori:
- Ombros para cima atrás de tori. Ataca o contato do tronco. Ele se abre quando as costas de tori ficam sobre o seu estômago, e não sobre o seu peito, ou quando tori se senta ereto. Primeiro, você precisa livrar o seu ombro mais distante (o esquerdo) do braço esquerdo de tori.
- Recuperação do braço mais próximo e depois giro em direção a tori. Ataca o controle sobre o seu braço direito. Ele se abre quando tori segura o pulso ou o punho da manga, ou quando o quadril de tori está afastado do seu lado. Depois que o cotovelo está entre os corpos, girar na direção de tori fica possível.
- Pernas na perna mais próxima de tori. Ataca a base. Ele se abre quando a perna mais próxima de tori está esticada na direção dos seus pés ou quando o quadril de tori escorregou para baixo, na direção da sua cintura.
Ao assistir ao vídeo de saídas do Kodokan, classifique cada saída que você vê num desses caminhos, ou anote que ela não se encaixa em nenhum, e pergunte ao seu professor qual aprender primeiro. Uma ponte que não abre nenhum desses caminhos normalmente só cansa você.
Contragolpe: as costas de tori ficam expostas
Como tori está de costas para a sua cabeça, sentar com sucesso pode deixar você atrás das costas de tori, e não apenas livre. Transformar isso numa inversão ou numa posição nas costas é uma habilidade separada, que precisa de instrução própria; ela nunca deve ser concluída puxando para trás a cabeça ou o pescoço de tori.
Desistir com segurança
Para tori: quando os ombros de uke já saíram do tatame e estão girando em direção a tori, as suas costas são o alvo; troque de imobilização (seção 7), em vez de se inclinar para trás com mais força. Para uke: dar um tranco num joelho preso ou forçar a saída de um braço preso contra a articulação não são saídas para treinar.
09 / TRANSIÇÕES ENTRE IMOBILIZAÇÕES
O que fazer quando a posição muda
Uke libera o braço mais próximo, mas continua deitado
O braço direito que uke recuperou agora fica ao lado do seu quadril esquerdo e pode empurrá-lo para longe ou passar por cima das suas costas na direção do seu ombro mais distante. Ou prenda de novo a parte de cima do braço com o seu braço direito, mantendo a inclinação, ou vire o peito para baixo, para o controle lateral, antes que o braço se estique no empurrão. Continuar sentado com o braço livre entrega a uke o giro em direção a tori.
Uke gira para longe, sobre o lado esquerdo
O seu braço esquerdo atravessado sobre o peito é a única coisa que impede esse giro. Se uke girar mesmo assim, acompanhe com o peito sobre a parte de trás dos ombros de uke e use uma virada ensinada pelo professor; nunca puxe uke de volta pela cabeça.
Uke senta atrás de você
Se o contato continua, vale o caminho para o lado da cabeça da seção 7. Se uke já estiver sentado além do seu ombro, não há imobilização a salvar: gire para ficar de frente para uke, de modo que as suas costas deixem de ficar expostas, e trate a troca como uma nova disputa de pegada ou um recomeço, conforme combinado para a rodada.
Uke prende uma perna
Mantenha o controle da parte de cima do corpo, solte a perna com uma ação ensinada pelo professor e reconstrua. Se um árbitro ainda contaria a imobilização é uma questão de regras para o seu professor.
Chaves de braço e estrangulamentos estão fora do alcance desta página. O braço mais próximo fica preso contra o seu corpo, mas transformar isso numa chave como o ude-garami é uma técnica separada, cujas regras (incluindo eventuais limites por categoria de idade) precisam ser conferidas à parte, e ela é estudada no seu próprio guia.
10 / RODADAS DE POSIÇÃO
De uma imobilização estática a uma escolha
Monte e descreva a imobilização
Cooperativo. Tori monta a imobilização pelo lado direito de uke; uke relata onde sente o peso. Avance quando os dois parceiros conseguirem nomear o controle do braço mais próximo, o controle do lado mais distante e o contato do tronco, e o professor tiver verificado que o pescoço está livre.
Uma saída, pouca resistência
Uke usa uma saída da referência do Kodokan escolhida pelo professor. Tori responde só com a base e a inclinação, sem trocar de imobilização. Avance quando tori conseguir dizer, na maioria das rodadas, qual controle a saída atacou primeiro.
Duas saídas, uke escolhe
Uke escolhe entre sentar atrás de tori e uma saída pelo lado das pernas. Avance quando a primeira resposta de tori corresponder à ameaça na maior parte das vezes, segundo a avaliação do professor.
Rodadas de imobilização para imobilização
Tori pode mudar para o kesa-gatame, para uma imobilização pelo lado da cabeça ou para o controle lateral (seção 7). Uke vence levantando os ombros, liberando o braço ou prendendo a perna. Tori só vence uma troca se o braço mais próximo ou o contato do tronco sobreviveu a ela. Avance quando tori escolher, sem precisar de aviso, o kesa-gatame contra a pressão nas costas e o lado da cabeça contra uke sentando.
Entradas contra um uke que se defende
Comece a partir da passagem ou do kesa-gatame, e não de uma imobilização já montada. Uke defende o cotovelo mais próximo antes que tori se sente. Se tori mantém bem a imobilização na etapa 3, mas raramente prende o cotovelo aqui, o próximo bloco deve treinar a entrada, e não a imobilização.
Combinem antes de cada rodada: a posição inicial, as saídas permitidas, o que encerra a rodada (saída, troca de imobilização, batida ou tempo definido pelo professor) e as condições de parada: uma batida ou um pedido de parada em voz alta (solte na hora), dor, ou um joelho ou braço preso. A duração da rodada é uma restrição de treino, e não um tempo oficial de osaekomi; confira com o seu professor o tempo atual em competição. Veja também o guia de exercícios de ne-waza e o plano de treino de ne-waza.
11 / REPLAYS DE COMPETIÇÃO
Duas seleções de replay da IJF para estudar
Conferimos em 10 de outubro de 2026 duas páginas de técnica de atletas da IJF com a marcação de ushiro-kesa-gatame. Verificado: cada página existe, traz o título citado, que atribui a ação marcada ao atleta nele nomeado, e lista a luta indicada. Não verificado: o que o replay mostra, a pontuação, o tempo e a tática. Não assistimos aos replays, então esta seção oferece perguntas para assistir, e não uma análise.
Cerić x Kim, Grand Slam de Düsseldorf 2020
A página da IJF com o título “Ushiro-kesa-gatame by CERIC Larisa” (ushiro-kesa-gatame de Larisa Cerić) lista sob esta marcação de técnica a luta do Grand Slam de Düsseldorf 2020 entre Larisa Cerić (BIH) e Ha-yun Kim (KOR).
Korrel x Sapargaliyev, Grand Slam de Baku 2024
A página da IJF com o título “Ushiro-kesa-gatame by KORREL Michael” (ushiro-kesa-gatame de Michael Korrel) lista sob esta marcação de técnica a luta do Grand Slam de Baku 2024 entre Michael Korrel (NED) e Adilet Sapargaliyev (KAZ).
Perguntas para levar aos replays
- A chegada: quem imobiliza chegou já voltado para as pernas, ou girou a partir de uma posição voltada para a cabeça? Se girou, o braço mais próximo continuou preso durante o giro?
- O braço mais próximo: onde está o cotovelo mais próximo de quem está embaixo depois que a imobilização é anunciada, e ele se move durante a imobilização?
- A cabeça livre: quem está embaixo tenta sentar ou girar em direção a quem imobiliza, por trás dele, e como a inclinação ou a posição do quadril de quem imobiliza muda em resposta?
- As pernas: a posição das pernas de algum dos dois muda durante a imobilização, e quem imobiliza afasta uma perna dos pés de quem está embaixo?
- Os limites: escreva “pouco claro” para tudo o que a câmera não mostra.
Use o checklist de análise de vídeo de luta para manter a observação separada da interpretação. As lutas históricas foram regidas pelas regras da época.
12 / VARIAÇÕES E TÉCNICAS PARECIDAS
Três imobilizações kesa que não são intercambiáveis
| Imobilização | Tori fica voltado para | O que é controlado | Principal ameaça a planejar |
|---|---|---|---|
| Kesa-gatame | A cabeça de uke | A mão esquerda de tori segura o judogi sob a axila direita de uke; o braço direito passa por trás do pescoço até o judogi atrás do ombro (IJF) | Perna presa e ponte na direção do lado da cabeça de tori |
| Kuzure-kesa-gatame | A cabeça de uke | Forma escolhida no seu guia: braço mais próximo segurado pelo braço esquerdo de tori; braço direito de tori passado pela axila esquerda de uke (braço sob a axila mais distante), em vez de em volta do pescoço | O cotovelo mais próximo voltando como barreira, seguido do giro em direção a tori |
| Ushiro-kesa-gatame | As pernas de uke | Braço mais próximo contra o lado de tori; lado mais distante pelo braço esquerdo de tori atravessado sobre o peito; inclinação do tronco sobre o peito | Uke sentando e girando em direção a tori, por trás das costas dele; recuperação do braço |
Por que a direção importa: ficar voltado para as pernas mostra a você o quadril de uke e mantém as suas pernas longe dos pés dele, mas deixa a cabeça livre atrás de você; o kesa-gatame faz a troca oposta, e é por isso que as duas funcionam como um par.
Não é o mesmo que o kuzure-kesa-gatame: as duas mandam um braço para o lado mais distante de uke, em vez de em volta do pescoço. No kuzure-kesa-gatame, é o braço direito de tori, voltado para a cabeça; aqui é o braço esquerdo de tori atravessado sobre o peito, voltado para as pernas, com o braço mais próximo segurado pelo direito. Se as suas anotações dizem apenas “braço sob a axila mais distante”, registre também para onde você estava voltado.
Variações de pegada: a mão esquerda pode ir para a faixa, para o judogi ou para o braço mais distante de uke. Registre qual, porque cada uma muda a forma como uke consegue girar para longe.
Nomes informais: “reverse scarf hold” e “reverse kesa” são nomes comuns em inglês (literalmente, imobilização em estola invertida e kesa invertido). O termo de luta agarrada “reverse side control” (controle lateral invertido) não nomeia as pegadas nem uma imobilização reconhecida.
13 / SEU PRÓXIMO TREINO
Descubra onde a saída começa
Tarefa: seis rodadas curtas de posição a partir da imobilização, pelo lado direito de uke. Uke usa uma saída escolhida pelo professor, com o esforço combinado. Tori pode ajustar a base e a inclinação, mas não troca de imobilização.
- Registro
- Para cada rodada: primeiro controle perdido (braço mais próximo / lado mais distante / ombros para cima atrás / base tombou / perna alcançada) e o resultado (manteve / escapou / parou).
- Pergunta ao professor
- “O contato sobre o peito de uke está no lugar certo, ou estou perdendo primeiro o braço mais próximo?”
- Próxima decisão
- Se uma causa predominar, corrija essa no próximo bloco. Se a imobilização agora resiste à primeira saída, acrescente a segunda (etapa 3).
Exemplo ilustrativo, não dados reais de treino: “Seis rodadas contra uke sentando. Em quatro, os ombros de uke subiram atrás de mim enquanto as minhas costas estavam sobre o estômago dele. Em duas, mantive. Próximo bloco: mesma saída; deslizo o quadril até a linha da axila antes de me inclinar para trás, e o professor observa do lado da cabeça.”
Guarde o registro junto com as suas outras anotações de treino, usando a ficha de registro de treino ou o Judo AI: registre o primeiro controle perdido, e não o tempo de imobilização.
14 / FONTES E REVISÃO
Fontes, autoria e revisão
- Kodokan: Names of Judo Techniques (em inglês) (nome e classificação)
- IJF: definição do ushiro-kesa-gatame; IJF: definição do kesa-gatame (comparação)
- Vídeos do Kodokan SBapox2M2dE e 4QuzAAucQsA (identidade, duração e data verificadas; ação não revisada quadro a quadro)
- Páginas de técnica de atletas da IJF 721/217 e 9286/217 (somente a listagem das lutas)
Por Judo AI · Revisão editorial do texto original em inglês: 10 de outubro de 2026 · Versão em português: 13 de outubro de 2026. A orientação vem da definição da IJF. Os detalhes de braços e pegadas da seção 4 seguem a forma comumente ensinada e estão sinalizados para conferência com a demonstração do Kodokan e com o seu professor. Os diagnósticos, os caminhos de troca de imobilização e as rodadas são propostas editoriais para treino supervisionado, e não um protocolo validado. Nenhum professor técnico identificado revisou esta página até agora. Prévia editorial em português do Brasil.
Regras e alcance: este é um guia de estudo, não um manual de arbitragem. O tempo de imobilização, o que conta como um osaekomi válido e as restrições por categoria de idade não são definidos aqui; confira com o seu professor as regras atuais da IJF e do evento.
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