ESTUDO DE TÉCNICA · SHIME-WAZA

Hadaka-jimeComo funciona e como melhorar

O hadaka-jime não usa o judogi em momento algum: o seu peito nas costas de uke e um antebraço atravessado na frente do pescoço precisam fazer o trabalho que a pegada na gola faz em outros estrangulamentos.

Em japonês
裸絞
Significado
Estrangulamento nu
Classificação
Katame-waza (técnicas de controle no solo) · Shime-waza (estrangulamentos)
Neste guia
Por trás, antebraço direito atravessado no pescoço, mãos unidas acima do ombro esquerdo de uke

Um estrangulamento construído por trás, sem o judogi

O hadaka-jime, o estrangulamento nu, é um dos doze shime-waza (estrangulamentos) da lista de nomes de técnicas do Kodokan, dentro do grupo katame-waza (técnicas de controle no solo). “Nu” se refere à ausência de qualquer pegada no judogi. A definição da IJF o descreve por trás do adversário: a parte interna do antebraço direito atravessa a frente do pescoço, com a palma para baixo, as mãos se unem acima do ombro esquerdo do adversário e a pressão é aplicada na frente da garganta pela ação combinada dos dois braços, “sem segurar o judogi dele de forma alguma” (traduzido do texto da IJF em inglês).

Essa última frase é o que torna a técnica característica. No okuri-eri-jime, as golas ancoram as suas mãos. Aqui nada as ancora, a não ser a união das suas próprias mãos, então a qualidade da posição atrás de uke decide quase tudo. Um braço que busca o pescoço a partir de uma posição frouxa e distante dá tempo a uke para se virar.

Nossa convenção: você é tori, atrás de uke, com o peito voltado para as costas de uke. O seu antebraço direito atravessa a frente do pescoço de uke, do lado direito de uke para o esquerdo, com a palma para baixo. As suas mãos se unem acima do ombro esquerdo de uke. O treino pelo lado esquerdo espelha todas as direções. Use a forma de unir as mãos que o seu professor ensina; esta página não prescreve uma única pegada das mãos.

Leitor: alguém cujo professor já mostrou à turma como os estrangulamentos são aplicados e soltos; um texto não substitui essa aula. No treino, o parceiro bate ou diz “pare” e tori solta imediata e completamente. O treino nunca continua em direção à perda de consciência, e as regras sobre estrangulamentos variam conforme a categoria de idade e o evento, então confira o que se aplica a você antes de usá-lo fora de um exercício supervisionado.

Nomes que você vai encontrar: hadaka jime, hadaka-jime e “naked strangle” (estrangulamento nu, em inglês) se referem à mesma técnica do Kodokan.

Uma demonstração oficial e as dicas de um professor

KODOKAN · 裸絞 / Hadaka-jime (série de 100 técnicas KODOKAN × IJF ACADEMY, publicado em 11 de abril de 2021, cerca de 1 min 20 s)
Abra este vídeo no YouTube se o player não carregar.

O vídeo do Kodokan é a referência da forma oficial. Assista a ele com o texto da IJF ao lado e procure quatro coisas: onde está o peito de tori em relação às costas de uke antes que o braço se mova; qual antebraço atravessa o pescoço e para que lado a palma está voltada; onde as duas mãos se encontram; e se a pressão vem dos braços agindo juntos, e não de um puxão da cabeça para trás. Se o ângulo da câmera esconder algum desses pontos, marque-o como “não visível”, em vez de completá-lo de memória.

Riki Judo Dojo · Hadaka-Jime Tips (dicas de hadaka-jime, em inglês; publicado em 14 de julho de 2022, cerca de 8 min 35 s; o responsável pela publicação descreve uma aula gravada em maio de 2022 com um professor 7º dan)
Abra este vídeo no YouTube. Referência independente de ensino, separada da demonstração oficial.

Não revisamos este vídeo de ensino assistindo à reprodução, então não atribuímos a ele instruções específicas. A lista de capítulos do responsável pela publicação (em inglês; os títulos estão traduzidos aqui) é útil como mapa de temas: definição (0:00), risco para o esôfago (0:37), posição do ombro (1:04), mantenha o cotovelo baixo (1:19), gire, não puxe (1:30), posição do punho (1:51), a prática perfeita leva à perfeição (2:40), defesa contra o hadaka-jime (3:26), outra defesa (4:41), uchi-komi para os dois parceiros (4:54), hadaka-jime a partir do kata-gatame (6:14), a partir do kesa-gatame (6:55) e outra variação (7:55). Esses tempos são as indicações do responsável pela publicação, e não marcações de tempo que conferimos.

Use os títulos dos capítulos como perguntas para levar ao seu professor. “Gire, não puxe” leva à pergunta sobre que rotação substitui um puxão para trás. “Risco para o esôfago” indica que a pressão na frente da garganta tem riscos próprios, o que é um motivo para aplicá-la devagar. Os dois capítulos sobre entradas a partir de imobilizações são discutidos como perguntas na seção 9.

As oportunidades vêm de uke se virando para longe

O hadaka-jime exige que você esteja atrás de uke, com o pescoço ao alcance, o que normalmente só aparece quando uke se vira para longe de você.

Uke fica de quatro depois de uma tentativa de projeção

Um parceiro que cai de bruços ou fica de quatro para evitar uma pontuação apresenta as costas. Se você consegue assentar o peito sobre a parte de cima das costas de uke com o seu peso controlado, o antebraço direito pode conseguir deslizar para a frente do pescoço. Se você ainda está em pé ou ajoelhado à distância de um braço, a primeira tarefa é fechar essa distância, e não buscar o pescoço.

Uke se vira para longe para sair de uma imobilização

Sair do kesa-gatame ou do kata-gatame às vezes envolve virar de bruços. Durante esse giro, o pescoço e as costas podem ficar disponíveis por um instante. A lista de capítulos do vídeo de ensino cita entradas a partir das duas imobilizações, o que é coerente com essa ideia, mas o caminho específico precisa vir do seu professor.

Uke sentado, com você atrás

Em alguns exercícios, uke fica sentado com tori atrás. A parte de cima do corpo está ereta, o que torna a linha do antebraço mais fácil de ver e mais fácil de controlar com pouca pressão para um iniciante. É um começo didático; no trabalho de solo ao vivo, espere em vez disso as situações de uke de quatro e de uke se virando para longe.

Quando ele não está disponível

Se uke está de frente para você, você não está atrás dele, e um braço em volta do pescoço pela frente é uma ação diferente (e muitas vezes insegura). Se o queixo de uke já está abaixado contra o peito e as duas mãos protegem o pescoço, um antebraço forçado vai parar na mandíbula ou no rosto. Esse é um sinal para mudar o plano: mantenha o controle das costas, mude para um estrangulamento com a gola, como o okuri-eri-jime, se o judogi estiver disponível, ou trabalhe uma virada.

Primeiro a posição, depois a linha do antebraço, depois a pressão lenta

As etapas precisam acontecer nessa ordem: pular a posição faz o braço falhar; apressar a pressão é um problema de segurança. A profundidade do antebraço, a posição da cabeça ao lado da cabeça de uke e qual mão fica por cima na união das mãos ficam a cargo do seu professor.

  1. Controle das costas: peito nas costas, quadril perto

    Leve o peito para a parte de cima das costas de uke e o quadril para perto o bastante para que uke não consiga se virar de frente para você apenas girando. Quando uke está de quatro, os seus joelhos ou pés precisam ficar atrás de uke para que você consiga acompanhar um rolamento para o lado. Quando uke está sentado, as suas pernas de cada lado do quadril de uke ajudam a manter as costas voltadas para você; confira com o seu professor quais posições de perna são permitidas, porque apertar o tronco com as pernas cruzadas é uma questão de regras à parte. Verifique: uke tenta um quarto de giro lento na sua direção. Se o ombro de uke chega ao seu peito sem que você se mova, o controle das costas ainda não estava lá.

  2. Coloque o antebraço direito atravessado na frente do pescoço

    O texto da IJF é preciso: a parte interna do antebraço, com a palma para baixo, atravessada na frente do pescoço. Traga o braço direito passando pelo lado direito da cabeça de uke, de modo que o antebraço fique sob o queixo, e não sobre a mandíbula nem em volta do lado da cabeça. A posição do ombro e do punho são temas de capítulos do vídeo de ensino; peça ao seu professor que defina as duas. Verifique: antes de qualquer pressão, uke diz onde sente o antebraço. “Na mandíbula” ou “no rosto” significa recomeçar.

  3. Una as mãos acima do ombro esquerdo

    As mãos se encontram acima do ombro esquerdo de uke. A sua mão esquerda agora é a âncora que, de outra forma, o judogi forneceria. Mantenha a união das mãos perto de uke, e não solta no espaço, onde uke consegue separá-las com facilidade. Pergunte ao seu professor a qual cotovelo o título de capítulo “mantenha o cotovelo baixo” se refere na versão dele. Verifique: uke tenta separar as suas mãos com uma mão, com pouco esforço. Se a união das mãos se abre imediatamente, observe onde ela está antes de apertar mais.

  4. Aplique a pressão devagar, com os dois braços juntos

    A definição diz que a pressão vem da ação combinada dos dois braços na frente da garganta. O seu peito continua nas costas de uke, então a pressão vem de fechar o espaço, e não de se inclinar para trás arrastando a cabeça de uke junto. O título de capítulo “gire, não puxe” aponta na mesma direção. No treino, aumente a pressão gradualmente, começando de quase nada, para que uke possa bater muito antes de ela ficar forte; o exercício termina na batida, e não num nível definido de pressão. Verifique: o professor consegue ver as mãos de uke livres para bater, e uke relata uma pressão aumentando na frente da garganta, e não um tranco repentino ou uma torção do pescoço.

  5. Soltar faz parte da técnica

    Diante de uma batida, de um “pare”, de um relaxamento repentino do corpo ou de qualquer dúvida, abra a união das mãos e tire o antebraço do pescoço imediatamente. Não segure “só mais um instante” para ter certeza. Se uke parar de responder em qualquer momento, solte na hora, chame o professor e encerre o exercício; nunca “teste” se um parceiro está bem continuando. Como uke defende este estrangulamento com as mãos no seu punho direito, combinem antes de cada rodada que um “pare” falado vale como batida, para que um parceiro com as mãos ocupadas ainda tenha um sinal. Verifique: o professor observa o tempo entre a batida e a soltura completa; ela deve ser imediata todas as vezes, inclusive quando tori está cansado.

O que fecha os caminhos de saída de uke: o contato do peito impede uke de girar em direção a tori; a sua base atrás de uke impede que um rolamento para a frente jogue você longe; o antebraço sob o queixo impede que o queixo desça mais depois que ele entrou; a união das mãos impede uke de arrancar o braço com as duas mãos. Cada controle tem uma forma clara de falhar, e é por isso que a seção de erros os trata separadamente.

Cinco verificações para um hadaka-jime controlado

As verificações da seção 4 são feitas com um parceiro parado. Estas cinco indicações são para rodadas em movimento, em que a ordem é a primeira coisa a se desfazer. Escolha uma por rodada e registre-a.

  1. O peito chega antes que a mão direita passe pela orelha de uke

    Verifique: filme uma rodada de posição de lado e pause no quadro em que a sua mão direita passa pela orelha direita de uke. Conte as entradas em que o seu peito já estava nas costas de uke nesse quadro. As entradas sem contato são aquelas de que uke conseguiu se virar e sair.

  2. Um queixo abaixado é um ponto de decisão, e não um obstáculo

    Verifique: depois da rodada, uke diz quantas vezes o antebraço encontrou o queixo ou a mandíbula e você continuou empurrando. O objetivo é zero: cada uma dessas vezes deveria ter virado “manter as costas” ou uma troca para a gola.

  3. A união das mãos fica acima do ombro esquerdo sob um puxão real

    Verifique: numa rodada em que uke defende com a intensidade combinada, anote se a união das mãos escorregou para a frente do ombro de uke antes de ser desfeita. Se escorregou primeiro, o problema é de posição; se não escorregou, é a forma de unir as mãos, uma pergunta para o professor.

  4. A cabeça de uke fica alinhada com a coluna

    Verifique: de lado, o professor observa a cabeça de uke enquanto você fecha os braços. Se ela está sendo dobrada para trás ou torcida, a pressão está indo para a coluna cervical, e não para a frente da garganta. Solte e recomece; essa repetição não conta.

  5. O seu quadril acompanha uke, os braços não perseguem

    Verifique: quando uke se desloca para o lado, de quatro, o seu peito se move junto com as costas de uke, ou o seu braço direito se estica para manter o lugar? Um braço que se estica significa que você está segurando o pescoço para segurar a posição, e é aí que as linhas escorregam para a mandíbula.

Por que o seu hadaka-jime falha?

Procure a primeira coisa que deu errado, e não a última. A maioria dos estrangulamentos que falharam se perdeu antes que o braço chegasse ao pescoço.

“Não consigo colocar o antebraço sob o queixo.”

Causas possíveis: uke abaixou o queixo e protege com as mãos; você está buscando de longe demais, então o seu braço chega devagar e à vista; ou você ataca pelo lado em que a mão mais próxima de uke já está esperando. Como diferenciar: congele o momento em que o braço para. O seu peito está nas costas? O queixo desceu antes ou depois que o seu braço começou? Ajuste: assente primeiro o contato do peito, depois mantenha as costas e mova o braço direito apenas quando a cabeça de uke subir, por exemplo quando uke olha em volta ou apoia uma mão para começar a girar. Trate um queixo que continua firmemente abaixado como uma informação: mantenha as costas e escolha outra ação, em vez de forçar o braço como uma alavanca. Avalie: na mesma rodada de posição, conte quantas vezes você chega à linha do antebraço com o contato do peito já estabelecido, e não quantas vezes consegue uma batida.

“Uke diz que está na mandíbula, e não na garganta.”

Causas possíveis: o braço entrou alto demais; o queixo abaixado de uke o empurrou para cima; ou você começou a puxar para trás, o que arrasta o antebraço para cima, pelo rosto. Como diferenciar: pergunte a uke onde está o contato antes da pressão e de novo durante uma pressão leve. Se ele sobe, a causa é o puxão; se já começa alto, é a entrada. Ajuste: solte, recoloque o antebraço e aplique apenas fechando os braços, com o peito ainda nas costas. Nunca compense dobrando a cabeça para trás. Avalie: três repetições leves seguidas em que uke relata a linha atravessada na frente do pescoço e a cabeça continua alinhada.

“Uke separa as minhas mãos.”

Causas possíveis: a união das mãos está solta na frente do ombro de uke, em vez de perto, acima dele; o seu cotovelo direito pode ter se afastado do corpo de uke, o que pode afrouxar o laço (peça ao professor que confirme); ou uke ataca o seu punho direito com as duas mãos enquanto você só tem a força de pegada de um braço segurando. Como diferenciar: observe qual mão uke ataca e se o seu cotovelo se move primeiro. Ajuste: peça ao professor que verifique juntos a posição da união das mãos e a do cotovelo, e depois repita com uke autorizado a dar um único puxão com as duas mãos, com esforço moderado. Avalie: compare quantas vezes a união das mãos resiste ao mesmo puxão combinado antes e depois da mudança.

“Uke se vira de frente para mim.”

Causas possíveis: um vão entre o seu peito e as costas de uke; o seu quadril longe demais; ou o seu peso alto sobre os ombros de uke, de modo que um giro faz você escorregar. Como diferenciar: filme de lado. Se aparece luz entre os corpos antes que uke gire, a posição foi perdida primeiro; se os corpos continuam juntos, mas você escorrega, é a base. Ajuste: dedique um bloco ao controle das costas sem estrangulamento permitido: uke tenta girar, tori acompanha só com o quadril e o peito. Avalie: quantos segundos de posição controlada nas costas você mantém em rodadas comparáveis, com o mesmo parceiro e a mesma resistência.

“Aperto com força e me canso, sem que uke bata.”

Causas possíveis: a linha do antebraço está errada, então a pressão não vai para nenhum lugar útil; você está apertando com os braços enquanto o peito saiu das costas; uke está defendendo bem o pescoço; ou você está simplesmente se apressando. Como diferenciar: uke relata o que sente. “Muito braço, pouco na garganta” sugere linha ou posição, e não força. Ajuste: desacelere tudo: posição, linha, união das mãos e depois pressão gradual. Não aumente a força para compensar um controle que falta. Avalie: com a mesma resistência e esforço moderado, conte as tentativas em que uke confirmou a linha atravessada na frente do pescoço antes que você acrescentasse qualquer pressão. Essa proporção deve subir; o seu esforço, não.

“Uke me rola por cima do ombro dele.”

Causas possíveis: você está empoleirado alto nas costas de uke, com o peso para a frente, por cima da cabeça; a sua base aponta para onde uke quer rolar. Como diferenciar: num exercício, uke encolhe um ombro e rola devagar; anote se você consegue acompanhar ou se é jogado por cima. Ajuste: abaixe o quadril atrás de uke e mantenha pesado o lado do braço que estrangula, como o seu professor mostrar. Solte o pescoço imediatamente se você estiver sendo rolado e o braço for torcer a cabeça de uke. Avalie: o mesmo rolamento combinado, três repetições, com você se mantendo atrás de uke.

Ligue o estrangulamento ao que uke defende

Uma boa tentativa de estrangulamento muda as prioridades de uke: as mãos vão para o pescoço, o queixo desce, os cotovelos se afastam do corpo. Cada uma dessas respostas abre outra coisa. Cada sequência abaixo indica o início, a primeira ação, a resposta de uke e a próxima ação, com uma condição de parada.

LINHA DO BRAÇO → LINHA DA GOLA

Hadaka-jime → Okuri-eri-jime quando uke abaixa o queixo

Início: controle das costas com uke de quatro, o seu peito nas costas. Primeira ação: o antebraço direito busca a frente do pescoço. Resposta: uke abaixa o queixo e bloqueia com as duas mãos, mas o judogi continua no lugar e a gola esquerda está disponível. Próxima ação: uma mão direita que não consegue passar sob o queixo pode conseguir pegar, em vez disso, a parte alta da gola esquerda. Isso, sozinho, não é o okuri-eri-jime: a sequência da IJF também exige que a sua mão esquerda saia da união das mãos e passe por baixo da axila esquerda de uke até a gola esquerda, e depois mude para a gola direita. Pare: o momento em que a sua mão esquerda sai da união das mãos é quando uke consegue girar; se uke se virar de frente para você ou arrancar a gola da sua mão, solte e volte ao controle das costas ou recomece.

AMEAÇA DE ESTRANGULAMENTO → VIRADA

Uke defende o pescoço com as duas mãos

Início: controle das costas, uke de quatro. Primeira ação: a ameaça de estrangulamento. Resposta: as duas mãos de uke sobem para proteger, então os cotovelos se afastam dos joelhos e a base se estreita. Próxima ação: uma virada ensinada pelo professor que rola uke de costas e termina numa imobilização como o kesa-gatame ou o yoko-shiho-gatame. Pare: solte o pescoço antes de rolar; nunca use o braço que estrangula para arrastar uke pela cabeça.

COSTAS COM UKE SENTADO → O MESMO LADO DE NOVO

Uke defende um lado; você reconstrói, em vez de trocar de braço às cegas

Início: sentado atrás de uke. Primeira ação: antebraço direito atravessado. Resposta: uke puxa o seu punho direito para baixo e gira o queixo para a dobra do seu cotovelo. Próxima ação: mantenha a conexão do peito, abra a união das mãos para que nada pressione o pescoço e restabeleça a linha do antebraço apenas quando as mãos de uke saírem do seu punho para se apoiar ou girar; se elas nunca saírem, mude para a gola ou para uma virada, em vez de ficar esperando no pescoço. Trocar para um estrangulamento espelhado com o braço esquerdo é uma habilidade separada; treine-a só se o seu professor a tiver ensinado. Pare: se o giro de uke tirar o seu peito das costas dele, abandone o pescoço e recupere a posição.

Registre a resposta que você realmente recebeu (queixo abaixado, mãos arrancadas ou giro); depois de algumas sessões, isso mostra qual caminho treinar primeiro.

Defenda o pescoço cedo e depois recupere a posição

Distinga três coisas: prevenção (não deixar o antebraço entrar), defesa (impedir a pressão quando o braço já está lá) e saída (sair do controle das costas). A lista de capítulos do vídeo de ensino inclui dois capítulos de defesa e um exercício de uchi-komi “para os dois parceiros”; pergunte ao seu professor qual defesa ele quer que você aprenda primeiro.

Prevenção: não entregue as costas de graça

Quando você fica de quatro, mantenha os cotovelos perto dos joelhos e o queixo abaixado. Evite levantar a cabeça para olhar em volta enquanto tori está atrás de você; é exatamente aí que o antebraço encontra a linha. Se você está saindo de uma imobilização, saiba para onde está girando: girar para longe de tori pode expor as costas.

Defesa: mãos no braço que estrangula, queixo protegido

Na nossa convenção pelo lado direito, o antebraço direito de tori é a ameaça. As mãos de uke controlam esse punho e esse antebraço, impedindo que ele se assente sob o queixo, enquanto o queixo continua baixo. O objetivo é impedir que a linha se forme, e não lutar contra o braço inteiro de tori. Não agarre os dedos de tori nem os dobre para trás; isso não é uma defesa de judô e pode machucar um parceiro.

Saída: recupere uma posição de frente

Quando o pescoço estiver seguro, trabalhe para tirar tori das costas: girando na direção de tori quando o contato do peito enfraquece, ou liberando uma perna para poder ficar de frente. A direção e os passos da saída devem ser aprendidos com um professor, porque um giro errado pode apertar a linha. Se o estrangulamento apertar enquanto você está saindo, bata. O exercício de saída não é um teste de resistência.

Contragolpes e exposição

Sair das costas pode deixar você numa posição em que você mesmo consegue trabalhar uma imobilização. Trate isso como uma tarefa de posição separada. Nunca use um contragolpe que puxe o pescoço de tori ou torça um braço preso para sair.

Como o trabalho de solo chega às costas

O hadaka-jime costuma ser o fim de uma cadeia: uma projeção, uma imobilização, uma tentativa de saída, um giro.

A partir de uma imobilização, quando uke se vira para longe

Suponha que você imobiliza com o kesa-gatame pelo lado direito de uke e uke sai virando de bruços, para longe de você. A lista de capítulos do vídeo de ensino cita entradas a partir do kesa-gatame e do kata-gatame; não as examinamos, então pergunte ao seu professor. O que você mesmo pode verificar: quando uke se vira para longe, você consegue acompanhar com o peito sobre as costas antes que uke se assente de quatro? Se não consegue, a ligação entre a imobilização e as costas é o foco do seu treino.

A partir de uma projeção que termina com uke de quatro

Depois de um ataque, uke pode cair de bruços ou de quatro. Vá para trás de uke, em vez de ficar ao lado, e depois estabeleça o contato do peito. Agarrar o pescoço pelo lado tende a dar a uke um instante para sair sentando ou ficar de frente para você.

Do estrangulamento para uma imobilização

Se uke libera o pescoço e rola de costas, a posição pode agora servir para uma imobilização. Solte primeiro o estrangulamento e depois estabeleça os controles da imobilização. Uma imobilização alcançada arrastando uke pelo pescoço não é uma técnica a treinar.

Quando você perde as costas

Se uke se vira de frente para você, o estrangulamento acabou. Recupere uma posição segura por cima ou recomece o exercício. Perseguir o pescoço pela frente é onde acontecem as torções acidentais do pescoço.

Para montar sessões que juntem essas ligações, veja o guia de exercícios de ne-waza e o plano de treino de ne-waza.

De uma linha do antebraço parada a uma rodada de posição ao vivo

Acrescente uma fonte de dificuldade por vez e combinem o sinal de parada antes de cada etapa. As durações de rodada aqui são sugestões editoriais a adaptar com o seu professor, e não uma prescrição.

  1. Só a colocação, sem pressão

    Uke fica sentado; tori se assenta atrás e coloca a linha do antebraço e a união das mãos. Uke relata onde está o antebraço. O professor verifica a linha, o alinhamento da cabeça e a união das mãos. Avancem quando uke relatar de forma consistente o antebraço atravessado na frente do pescoço.

  2. Aplicação leve e o exercício de soltura

    Tori aplica uma pressão lenta e leve; uke bate cedo; tori abre completamente. Repitam com o professor anunciando a batida de vez em quando. Avancem só quando toda soltura for imediata. Esta etapa também ensina uke a bater cedo e com calma.

  3. Controle das costas sem o estrangulamento

    Uke, de quatro, tenta girar e ficar de frente para tori; tori só pode usar o peito, o quadril e a base. Rodadas curtas. Isso isola a posição que o quarto problema expõe.

  4. Controle das costas com o estrangulamento como uma opção

    Uke defende o pescoço com uma defesa combinada. Tori pode estabelecer a linha com intensidade controlada. Uke bate se a pressão chegar. Contem como resultados separados a linha estabelecida, a linha bloqueada e as costas perdidas.

  5. Comece a partir de uma imobilização

    Comecem no kesa-gatame ou no kata-gatame. Uke sai virando para longe; tori acompanha até as costas. Depois, a tarefa da etapa quatro. Isso testa se você consegue chegar à posição, e não apenas usá-la.

Uma rodada bem-sucedida da etapa quatro com um parceiro não significa que a habilidade se transfere para um parceiro mais forte ou mais defensivo. Mude uma variável por vez quando tentar um novo parceiro: primeiro um parceiro de tamanho diferente com a mesma defesa combinada, depois o mesmo parceiro com uma defesa mais livre.

Quem supervisiona: um professor que consiga ver os dois judocas deve estar presente em qualquer treino de estrangulamento. Se você treina sem um professor, limite-se aos exercícios de colocação e de controle das costas.

Duas pistas de replay da IJF, e o que elas não provam

As páginas de técnica de atletas da IJF listam lutas sob uma marcação de técnica. Conferimos duas dessas listagens em 10 de outubro de 2026. Cada listagem está numa página de atleta com o título “Hadaka-jime by …” (hadaka-jime de …), que atribui a ação marcada a Igor Wandtke e a Francisco Garrigós, respectivamente. Não verificamos se a ação pontuou, em que momento aconteceu nem a tática, e não assistimos às imagens.

Grand Prix da Alta Áustria 2025: Garrigós x Ray

A seleção de hadaka-jime da IJF lista Francisco Garrigós (ESP, branco) contra Kelvin Ray (FRA, azul) no Grand Prix da Alta Áustria 2025.

Grand Prix de Budapeste 2019: Wandtke x Khomula

A seleção de hadaka-jime da IJF lista Igor Wandtke (GER, branco) contra Artem Khomula (UKR, azul) no Grand Prix de Budapeste 2019.

Perguntas para assistir a qualquer um dos dois replays

  1. Antes do braço: como quem ataca chegou atrás? Resultado de uma projeção, uke de quatro, um giro para longe a partir de uma imobilização ou outra coisa?
  2. Controle das costas: onde está o peito de quem ataca em relação às costas de quem defende quando o braço se move pela primeira vez?
  3. A linha: dá para ver qual antebraço atravessa o pescoço e onde as mãos se encontram? Marque como desconhecido se o ângulo esconder isso.
  4. A defesa: o que quem defende faz com as mãos e com o queixo, e isso muda a escolha de quem ataca?
  5. O final: há uma batida, uma intervenção do árbitro ou uma interrupção? Registre apenas o que você consegue ver.

As imagens de luta refletem as regras daquele evento para atletas adultos. Elas não dizem o que é permitido na sua categoria de idade ou na sua competição.

O hadaka-jime entre os estrangulamentos do Kodokan

Três estrangulamentos do Kodokan: o que ancora as mãos?
TécnicaO que comparar
Hadaka-jimeNenhuma pegada no judogi. Antebraço direito atravessado na frente do pescoço, mãos unidas acima do ombro esquerdo de uke (IJF).
Okuri-eri-jimeAs duas mãos usam as golas de uke: a mão direita vai à parte alta da gola esquerda, passando em volta do pescoço, e a mão esquerda passa sob a axila e depois vai à gola direita (IJF).
Kataha-jimeUm estrangulamento do Kodokan com nome próprio. A definição da IJF coloca o braço direito em volta do pescoço até a gola esquerda e a mão esquerda sob a axila esquerda, com o dorso dela contra a parte de trás do pescoço de uke; então aprenda as pegadas dele com o seu professor, em vez de tratá-lo como uma variante de qualquer uma das técnicas acima.

Variações informais: professores e a lista de capítulos do responsável pela publicação (“outra variação”) mencionam versões que diferem na união das mãos, na posição da cabeça ou na posição inicial. Trate cada uma como uma aula própria. Se uma variação segura o judogi, ela deixa de ser hadaka-jime no sentido da IJF; confira se ela tem outro nome oficial.

Início sentado ou de quatro: a mesma linha do braço sobre um uke sentado e sobre um uke de quatro é um problema de posição diferente. De quatro, a base de uke e o rolamento para a frente importam; sentado, importam o giro de uke e a fuga de quadril. Treine-os separadamente.

Outros esportes: estrangulamentos parecidos, só com os braços e por trás, existem em outros esportes de luta agarrada, com outros nomes e outras regras; não importe para o judô as posições de perna deles sem conferir.

Um único foco: pegue as costas antes do pescoço

Use o registro abaixo para uma sessão focada na posição antes do braço.

Situação
Uke de quatro; tori atrás; linha do antebraço direito; resistência controlada.
Meu foco
Peito nas costas de uke antes que o meu braço direito se mova.
O que percebi
Uke se virou de frente para mim? Onde uke sentiu o antebraço? Toda soltura foi imediata?
Pergunta ao professor
“A linha do meu antebraço está certa, e onde deve ficar a união das minhas mãos?”
Próxima decisão
Continuar no controle das costas, passar para a etapa do estrangulamento ou trocar para o estrangulamento com a gola.

Exemplo ilustrativo, não dados medidos: “Seis rodadas a partir de uke de quatro. Uke se virou de frente para mim em quatro; em duas, cheguei à linha, mas uke disse que estava na mandíbula. Próxima sessão: controle das costas sem o estrangulamento, depois verificações só de colocação, com uke relatando a linha.”

Guarde as suas anotações na ficha de registro de treino ou no Judo AI. Anote como cada rodada começou (uke de quatro, sentado, girando para longe a partir de uma imobilização), porque chegar às costas a partir de uma imobilização é uma habilidade diferente de recebê-las já no início.

Fontes, autoria e revisão

O nome e a classificação vêm da lista de nomes de técnicas do Kodokan (em inglês). A linha do antebraço e a união das mãos vêm da definição do hadaka-jime da IJF (conferida em 10 de outubro de 2026). Os dois vídeos são creditados aos seus responsáveis pela publicação; o vídeo de ensino é citado apenas pelo título e pela lista de capítulos do responsável pela publicação.

Por Judo AI · Revisão editorial do texto original em inglês: 10 de outubro de 2026 · Versão em português: 13 de outubro de 2026. As sugestões de ensino, os diagnósticos e os exercícios são propostas editoriais para treino supervisionado, e não um programa validado. Nenhum professor identificado revisou esta página. Nenhum dos dois vídeos foi revisado assistindo à reprodução para esta página. Prévia editorial em português do Brasil.

Regras: esta página não informa as regras atuais sobre estrangulamentos em nenhuma categoria de idade nem em nenhum evento. Confira com o seu professor ou com um árbitro antes de usar shime-waza em competição, especialmente nas categorias de base.

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