01 / VISÃO GERAL
Um estrangulamento com a gola que levanta um braço para fora do caminho
O kataha-jime (片羽絞) é um dos doze shime-waza (estrangulamentos) da lista de nomes de técnicas do Kodokan, dentro do grupo katame-waza (técnicas de controle no solo), em que aparece entre o okuri-eri-jime e o katate-jime. Os caracteres significam “um” (片), “asa” (羽) e “estrangulamento” (絞); a IJF dá o nome inglês “single-wing strangle” (estrangulamento de uma asa). A asa é o braço esquerdo de uke, que o seu braço esquerdo levanta e mantém fora do caminho.
A definição da IJF é breve e completa. Por trás, o seu braço direito contorna o pescoço para pegar a gola esquerda de uke. A sua mão esquerda passa por baixo da axila esquerda de uke e contorna até a parte de trás do pescoço, de modo que “o dorso da sua mão esquerda fique contra a parte de trás do pescoço dele” (traduzido do texto da IJF em inglês). O estrangulamento vem de puxar com a mão direita e empurrar com a esquerda.
É isso que o separa dos seus vizinhos. O okuri-eri-jime também começa com a mão direita na gola esquerda e a mão esquerda por baixo da axila esquerda, mas depois a mão esquerda pega uma gola. O hadaka-jime não usa o judogi de forma alguma. No kataha-jime, a mão esquerda não segura nada: ela trabalha com o dorso contra o pescoço de uke, enquanto o braço esquerdo levanta o braço esquerdo de uke.
Leitor: um judoca cujo professor já ensinou como os estrangulamentos são aplicados, como se bate e como se solta no seu clube. Esta página é um material de estudo para o treino supervisionado e não substitui essa aula. O treino nunca continua em direção à perda de consciência.
Nomes que você vai encontrar: o Kodokan e a IJF escrevem “Kataha-jime”. Você também vai ver “kata-ha-jime” e “kata ha jime”, por exemplo em alguns vídeos de ensino e enciclopédias, e os nomes ingleses “single-wing strangle” ou “single wing choke” (estrangulamento de uma asa). A descrição de um canal de ensino também menciona “chicken wing choke” (estrangulamento “asa de galinha”). Todos esses nomes descrevem a mesma técnica do Kodokan; “kata-ha” não é uma combinação do kata-gatame com outra técnica.
02 / VEJA A TÉCNICA
A demonstração do Kodokan e as anotações de aula de um professor
Abra este vídeo no YouTube se o player não carregar.
Percorremos este vídeo em intervalos de alguns segundos, e não quadro a quadro. O que conseguimos ver: uke está sentado no tatame com as duas pernas esticadas para a frente, e tori está atrás, mais alto que uke. O braço direito de tori atravessa a frente do pescoço de uke e a mão direita segura a gola esquerda de uke no alto, perto do pescoço. O braço esquerdo de tori passa por baixo do braço esquerdo de uke e o levanta, de modo que a mão esquerda de uke aponta para cima. Uma vista por trás mostra a mão esquerda de tori atrás do pescoço de uke, com o braço esquerdo de uke levantado ao lado da cabeça, e um close do pescoço mostra por um instante uma linha gráfica na tela. Mais adiante, num plano mais aberto, o tronco de uke, sentado, já não está ereto. Não interpretamos essa inclinação como parte obrigatória da finalização; pergunte ao seu professor o que ela mostra.
Assista a ele com o texto da IJF ao lado e procure quatro coisas, uma de cada vez: a altura da mão direita na gola esquerda; o momento em que o braço esquerdo de uke sobe; onde termina o dorso da mão esquerda de tori; e se as duas mãos agem ao mesmo tempo. Marque tudo o que a câmera esconder como “não visível”.
Abra este vídeo no YouTube. Referência independente de ensino, separada da demonstração oficial.
Não revisamos este vídeo de ensino assistindo à reprodução, então nenhuma instrução específica desta página é atribuída a ele. A sua lista de capítulos do responsável pela publicação (em inglês; os títulos estão traduzidos aqui) é um mapa útil: definição (0:00), a explicação de Donn Draeger (0:08), demonstração (0:22), kihon-no-kata (0:39), outra vista (0:46), detalhes da mão esquerda (0:56), “se você tem braços curtos…” (1:53), “o mongol de um braço só” (3:07), uma saída do kata-ha-jime (3:27) e “o sensei Riki prefere nage-waza” (4:41). Essas são indicações do responsável pela publicação, e não marcações de tempo que conferimos.
O capítulo mais longo é sobre a mão esquerda, o que combina com o lugar em que está a maioria das perguntas práticas: como a mão passa por baixo da axila e chega atrás do pescoço sem que o braço seja prensado. O capítulo sobre braços curtos é uma boa deixa se a sua mão direita não consegue alcançar a gola alto o bastante; leve a questão ao seu professor, em vez de adivinhar a correção. O capítulo da saída é discutido na seção 8.
03 / QUANDO APLICAR
Procure uma gola ao alcance e um braço esquerdo que se afasta do corpo
O kataha-jime precisa de duas coisas ao mesmo tempo: uma posição atrás de uke, com a sua mão direita capaz de pegar a gola esquerda, e o cotovelo esquerdo de uke afastado das costelas, para que o seu braço esquerdo consiga passar por baixo dele. A segunda condição é o que o diferencia de outros estrangulamentos por trás. Se uke mantém o cotovelo esquerdo colado ao corpo, a asa não pode ser levantada e outra escolha geralmente é melhor.
Uke estica a mão esquerda ou a apoia no tatame
Atrás de um uke de quatro ou sentado, observe a mão esquerda. Uke pode apoiá-la no tatame para se levantar, levá-la para trás para agarrar a sua manga ou levantá-la para tirar a sua mão direita da gola. Cada um desses movimentos abre a axila esquerda. Se a sua mão direita já segura a gola, essa abertura é o momento para o braço esquerdo passar por baixo.
Uke defende o okuri-eri-jime protegendo a gola direita
Quando você ameaça o okuri-eri-jime, a sua mão esquerda precisa da gola direita de uke. Quem defende protegendo essa gola com as duas mãos precisa levantar os cotovelos para isso. A sua pegada com a mão direita não muda, então a mão esquerda pode parar de perseguir a gola e ir para trás do pescoço. A seção 7 apresenta isso como uma sequência.
Sentado, com você atrás
A demonstração do Kodokan começa com uke sentado, que também é a posição mais clara para aprender. O tronco de uke está ereto, as duas mãos de uke estão visíveis, e o professor consegue ver as suas mãos de lado e por trás.
Quando ele não está disponível
Se uke está de frente para você, você não está atrás, e a definição não se aplica. Se o cotovelo esquerdo está prensado contra as costelas e o queixo de uke está abaixado sobre o seu antebraço direito, forçar o braço para cima como uma alavanca transforma a tentativa numa disputa pelo ombro. Se o judogi de uke está aberto ou a gola está fora de alcance, falta a pegada com a mão direita que ancora o estrangulamento. Em cada caso, mantenha as costas e escolha outra coisa: hadaka-jime se o pescoço está aberto, mas a gola não; okuri-eri-jime se as duas golas estão disponíveis e o braço continua abaixado; ou uma virada para uma imobilização.
04 / COMO FUNCIONA
Gola, asa, dorso da mão, depois duas ações opostas
A definição da IJF dá as mãos e a direção da força. Ela não dá uma altura na gola, um ângulo da mão nem uma posição do corpo de tori; isso vem do seu professor e, onde for visível, da demonstração. Cada etapa abaixo tem uma verificação que uke pode relatar antes que qualquer pressão seja aplicada.
Assente-se atrás de uke antes que qualquer mão se mova
O seu peito deve ficar contra a parte de cima das costas de uke, com os joelhos ou o quadril perto o bastante para que uke não consiga simplesmente girar e ficar de frente para você. No vídeo do Kodokan, tori está mais alto que o uke sentado, o que permite que os braços de tori desçam sobre o pescoço e o ombro, em vez de se esticarem atravessados. Verifique: uke tenta um meio giro lento para a esquerda, a direção do braço que você está prestes a levantar. Se você precisar soltar para continuar atrás, a posição vem primeiro.
Braço direito atravessado no pescoço até a gola esquerda
Traga o braço direito por cima do ombro direito de uke, de modo que o antebraço fique atravessado na frente do pescoço, e pegue a gola esquerda de uke com a mão direita. O vídeo mostra a pegada no alto da gola, perto do pescoço. Uma pegada baixa deixa folga no judogi, que precisa ser recolhida antes que qualquer coisa aconteça. Verifique: antes da pressão, uke confirma que o antebraço está atravessado na linha da garganta, e não na mandíbula, e o seu professor confirma que a mão segura o tecido, e não só as pontas dos dedos por cima da borda.
Braço esquerdo por baixo da axila esquerda: levantar a asa
Deslize o braço esquerdo por trás, por baixo da axila esquerda de uke. À medida que ele sobe, o braço esquerdo de uke sobe junto; na demonstração, a mão esquerda de uke termina apontando para cima, ao lado da cabeça. O levantamento é uma consequência da mão esquerda indo até o pescoço, e não uma ação separada no ombro. Verifique: uke relata o ombro levantado, mas confortável. Qualquer beliscão ou torção no ombro significa parar e recomeçar, porque o kataha-jime é um estrangulamento, e não uma chave na articulação do ombro.
Dorso da mão esquerda contra a parte de trás do pescoço
A mão esquerda termina atrás do pescoço de uke, com o dorso, e não a palma, contra o pescoço. O seu professor vai mostrar a altura da mão e se os dedos apontam para cima ou atravessados. A vista por trás da demonstração é a melhor referência para essa colocação. Verifique: uke diz onde está o dorso da mão. “Na minha cabeça” ou “embaixo, na parte de cima das costas” significa que a mão ainda não chegou ao pescoço.
Puxe com a direita, empurre com a esquerda, devagar
A definição nomeia as duas ações: puxar com a mão direita, empurrar com a esquerda. A mão direita puxa a gola; o dorso da mão esquerda empurra por trás do pescoço. O pescoço de uke fica entre as duas. Aumente as duas juntas, começando de quase nada, para que uke possa bater muito antes de a pressão ficar forte. Verifique: a cabeça de uke se mantém perto do seu alinhamento normal. Se a cabeça estiver sendo dobrada para a frente, em direção ao peito, ou torcida, o empurrão está indo para as articulações do pescoço, e não para a linha do estrangulamento. Solte e recomece.
Soltar, lembrando do braço preso
O braço esquerdo de uke está levantado e preso, então uke geralmente só tem a mão direita para bater, e essa mão pode estar ocupada no seu punho direito. Antes de cada rodada, combinem que uma batida com o pé ou um “pare” falado vale como batida; pelas regras da IJF, a desistência pode ser sinalizada batendo com a mão ou com o pé, ou dizendo “maitta”. Diante de qualquer sinal, ou de qualquer dúvida, abra a mão direita e tire a mão esquerda do pescoço na hora. Se uke parar de responder, solte imediatamente e chame o professor.
O que fecha os caminhos de saída de uke: o contato do peito impede uke de girar em direção a tori; a pegada alta na gola impede uke de esconder o queixo por baixo do braço; o braço esquerdo levantado impede uke de usar esse cotovelo para prensar ou girar; e a mão esquerda atrás do pescoço impede uke de puxar a cabeça para trás, para fora da linha da gola. Cada controle pode falhar de forma independente, e é por isso que os problemas abaixo estão separados.
05 / PONTOS-CHAVE
Quatro verificações para rodadas em movimento
As verificações acima são para um parceiro parado. Estas indicações são para rodadas em que uke se move. Escolha uma por sessão.
A pegada na gola entra antes que o braço esquerdo passe por baixo
Verifique: registre cada tentativa como “gola primeiro” ou “braço primeiro”. Quando o braço esquerdo entra sem a âncora da mão direita, uke consegue abaixar o cotovelo e se virar para longe. Conte quantas vezes cada ordem produz uma asa estável.
O braço esquerdo entra aproveitando o movimento de uke, e não contra ele
Verifique: depois da rodada, uke relata se você levantou um braço que estava subindo (um apoio, uma pegada para trás, uma tentativa de tirar a sua mão) ou se forçou um braço prensado. Forçar o braço deveria ficar mais raro a cada sessão.
O dorso da mão, e não a palma, contra o pescoço
Verifique: o professor observa por trás durante três repetições. Uma palma no pescoço tende a agarrar ou a apertar com os dedos, o que muda a ação e não é a descrição da IJF.
As duas mãos sobem juntas, a cabeça de uke fica alinhada
Verifique: num vídeo feito de lado, a cabeça não deveria se dobrar para a frente antes que uke sinta a gola. Se a cabeça se dobra primeiro, a mão esquerda está empurrando antes do puxão da mão direita.
06 / ERROS E AJUSTES
Por que o seu kataha-jime falha?
Procure o primeiro controle que se rompeu. Nesta técnica a ordem é gola, asa, mão, pressão; uma falha mais adiante na cadeia muitas vezes começou antes.
“Uke prensa o cotovelo esquerdo e eu não consigo passar por baixo.”
Causas possíveis: você foi para a axila antes que uke tivesse um motivo para mover aquele braço; a sua pegada na gola com a mão direita ainda não ameaça, então uke pode se dar ao luxo de manter os dois cotovelos fechados; ou você está entrando muito de lado, onde o cotovelo é mais fácil de prensar. Como diferenciar: pergunte a uke o que ele estava defendendo. Se a resposta for “nada ainda”, a ameaça veio cedo demais. Ajuste: estabeleça primeiro a pegada da mão direita na gola e uma ameaça leve, e só mande o braço esquerdo por baixo quando a mão esquerda de uke se afastar do corpo para lidar com ela. Se o cotovelo nunca subir, mude o plano como na seção 7, em vez de forçar. Avalie: no mesmo número de rodadas, com a mesma resistência, conte as entradas feitas enquanto o cotovelo de uke estava se movendo e as feitas forçando o braço como uma alavanca.
“A asa cai assim que movo a mão para o pescoço.”
Causas possíveis: o braço esquerdo está por baixo do antebraço ou do cotovelo, e não da axila, então só levanta o antebraço; o seu peito se afastou e uke consegue abaixar o ombro; ou uke está simplesmente empurrando para baixo com esse braço e você não tem âncora. Como diferenciar: o professor olha onde o seu braço esquerdo encontra o braço de uke: fundo na axila ou lá fora, no cotovelo. Ajuste: entre mais fundo em direção à axila e mantenha o peito em contato enquanto a mão se desloca. Peça ao seu professor que mostre como a linha do ombro, e não a sua força de pegada, mantém o braço levantado. Avalie: o número de vezes em que o braço continua levantado até a mão esquerda chegar ao pescoço, com uke aplicando a mesma pressão moderada para baixo.
“A minha mão direita escorrega na gola.”
Causas possíveis: a pegada está baixa demais, então um trecho longo de gola escorrega quando você puxa; os dedos estão por cima da borda, em vez de segurar o tecido; ou uke está tirando a sua mão com o braço direito livre. Como diferenciar: depois da rodada, veja onde a sua mão direita terminou em relação a onde começou. Uma mão que termina mais abaixo na gola escorregou. Ajuste: refaça a pegada mais alto, mais perto do pescoço, como na demonstração, e recolha a folga antes que a mão esquerda se mova. Lembre-se de que um estrangulamento aplicado “usando apenas os dedos” é shido pelas regras da IJF (veja a seção 11), o que é mais um motivo para segurar bem o tecido. Avalie: uke tenta tirar a mão com o esforço combinado; compare quantas vezes a pegada resiste antes e depois da mudança.
“Uke diz que parece uma torção do pescoço, e não um estrangulamento.”
Causas possíveis: a mão esquerda empurra antes que a mão direita puxe; a mão esquerda está alta demais, na cabeça, em vez de no pescoço; ou tori está inclinando o corpo inteiro para a frente, por cima da cabeça de uke. Como diferenciar: pergunte a uke onde ele sente. Pressão na parte de trás do pescoço ou na parte alta da coluna, sem nada na frente, é o sinal de alerta. Ajuste: pare a repetição. Coloque de novo a mão esquerda na parte de trás do pescoço e recomece só com o puxão da mão direita; depois acrescente o empurrão da mão esquerda apenas na medida em que uke continue relatando a gola na frente. Avalie: três repetições lentas em que uke relata primeiro a frente do pescoço e a cabeça continua alinhada. Qualquer ação que ponha em risco o pescoço ou a coluna está fora do treino seguro e, em competições da IJF, é uma infração punida com hansoku-make.
“Uke gira em direção ao meu braço direito e sai.”
Causas possíveis: o braço esquerdo levantado puxa você para o lado esquerdo de uke, deixando o seu lado direito leve; o seu quadril não está atrás de uke; ou uke usa o braço direito livre para se apoiar e girar. Como diferenciar: filme de cima ou de lado e anote para que lado uke girou e se o seu peito saiu das costas de uke primeiro. Ajuste: treine o controle das costas segurando só a gola, com uke autorizado a girar para qualquer lado, antes de acrescentar a asa. Avalie: o tempo numa posição controlada nas costas em rodadas comparáveis.
“Os meus braços são curtos demais para alcançar os dois lugares.”
Causas possíveis: uma diferença real de alcance com um parceiro largo; você está sentado muito para trás, o que deixa a gola mais longe; ou a mão direita está perseguindo a gola pelo lado oposto do pescoço. Como diferenciar: experimente a mesma colocação num parceiro de outro biotipo. Se funcionar lá, o problema é o alcance com este parceiro; se não, é a posição. Ajuste: primeiro feche a distância. O vídeo de ensino tem um capítulo sobre braços curtos; pergunte ao seu professor o que ele recomenda para o seu biotipo, em vez de inventar uma pegada. Avalie: uke confirma as duas colocações das mãos antes da pressão, com o mesmo parceiro, ao longo de várias sessões.
07 / PREPARAÇÕES E ESCOLHAS DE ESTRANGULAMENTO
Escolha pelo que uke faz com o braço esquerdo e com a gola direita
O kataha-jime, o okuri-eri-jime e o hadaka-jime podem começar da mesma posição nas costas. O braço direito atravessado no pescoço é comum aos três, então a decisão é tomada pela mão esquerda, com base no que uke oferece. Cada sequência indica o início, a primeira ação, a resposta de uke, a próxima ação e quando parar.
ESTRANGULAMENTO COM A GOLA → ASA
Da ameaça de okuri-eri-jime ao kataha-jime quando uke protege a gola direita
Início: atrás de um uke de quatro ou sentado, mão direita na gola esquerda de uke. Primeira ação: a sua mão esquerda passa por baixo da axila esquerda em direção à gola direita de uke, o caminho do okuri-eri-jime na definição da IJF. Resposta: uke agarra a gola direita com as duas mãos ou a prensa contra o peito, o que afasta o cotovelo esquerdo das costelas. Próxima ação: mantenha o braço esquerdo por baixo do braço levantado e leve o dorso da mão esquerda à parte de trás do pescoço, em vez de perseguir a gola. Pare: se uke abaixar o braço esquerdo com força e o seu peito sair das costas, solte e volte ao controle das costas.
ASA → ESTRANGULAMENTO COM A GOLA
Do kataha-jime ao okuri-eri-jime quando o cotovelo fica abaixado
Início: pegada da mão direita na gola colocada. Primeira ação: você procura a axila esquerda. Resposta: uke mantém o cotovelo esquerdo prensado, mas deixa a gola direita desprotegida. Próxima ação: a sua mão esquerda passa por baixo da axila e pega a gola esquerda, depois troca para a gola direita, como no okuri-eri-jime. A asa não é necessária para esse estrangulamento. Pare: se nenhuma das golas estiver disponível e o cotovelo estiver prensado, escolha uma virada em vez de uma pegada forçada.
AMEAÇA DE ESTRANGULAMENTO → IMOBILIZAÇÃO
Uke se defende rolando para longe do braço levantado
Início: gola e asa colocadas. Primeira ação: pressão leve de estrangulamento. Resposta: uke rola de costas em direção ao seu lado direito para tirar a pressão do pescoço. Próxima ação: solte primeiro o pescoço, depois acompanhe uke sobre o peito para uma imobilização que o seu professor tenha ensinado, como o kesa-gatame ou o yoko-shiho-gatame. Pare: nunca arraste uke pelo braço preso nem pelo pescoço; se o rolamento torcer o ombro de uke contra o seu braço, abra o braço esquerdo imediatamente.
| O que uke oferece | Escolha razoável |
|---|---|
| O cotovelo esquerdo se afasta; o pescoço está ao alcance | Kataha-jime: o dorso da mão esquerda atrás do pescoço |
| O cotovelo esquerdo fica abaixado; a gola direita está livre | Okuri-eri-jime: a mão esquerda vai às golas |
| Nenhuma gola utilizável; queixo levantado | Hadaka-jime: nenhuma pegada no judogi |
| Queixo abaixado, os dois cotovelos prensados | Manter as costas ou virar uke; ainda nenhum estrangulamento |
Anote a resposta que você realmente recebeu em cada vez. Depois de algumas sessões, isso mostra qual sequência os seus parceiros oferecem com mais frequência.
08 / DEFESAS E SAÍDAS
Mantenha a asa abaixada, proteja a gola, depois fique de frente para tori
Trate a defesa em três camadas: prevenção (não deixar a asa ser levantada), defesa (impedir a pressão quando as pegadas já estão colocadas) e saída (sair da posição nas costas). O vídeo de ensino tem um capítulo chamado “uma saída do kata-ha-jime”; como não revisamos o seu conteúdo, pergunte ao seu professor qual saída ele ensina.
Prevenção: cotovelos fechados quando tori está atrás
Quando tori está nas suas costas, mantenha os cotovelos perto das costelas e as mãos perto da gola. Apoiar a mão esquerda no tatame ou levá-la para trás para agarrar tori são reações naturais, mas cada uma delas abre a axila de que o kataha-jime precisa. Fique de quatro com os cotovelos em contato com os joelhos, como o seu professor mostrar.
Defesa: a pegada da mão direita é a âncora
Na nossa convenção pelo lado direito, a mão direita de tori na sua gola esquerda é o que faz o estrangulamento funcionar. Use a sua mão direita livre para controlar esse punho ou para afastar a gola do pescoço. Mantenha o queixo baixo contra o antebraço direito de tori. Não tente forçar com toda a força o braço esquerdo levantado para baixo contra o ombro de tori; depois que a asa está levantada, mover o braço com força pode sobrecarregar o seu próprio ombro. Agarrar ou dobrar os dedos de tori não é uma defesa de judô.
Saída: gire quando o contato nas costas enfraquecer
A saída busca ficar de frente para tori ou chegar a uma posição em que tori já não esteja atrás de você. A direção do giro depende de onde está o peso de tori e de qual braço está preso, então aprenda o caminho com o seu professor. Se a pressão aumentar durante a saída, bata com o pé ou diga “pare”; o exercício de saída não é um teste de resistência.
Contragolpes e exposição
Sair das costas pode deixar você numa posição por cima. Trate isso como uma nova tarefa de posição. Nunca use um contragolpe que force a cabeça de tori, torça um membro preso ou caia para trás sobre tori com o seu peso no pescoço.
09 / TRANSIÇÕES EM VOLTA DAS COSTAS
Como o trabalho de solo chega à asa, e para onde vai depois
O kataha-jime geralmente é uma escolha feita a partir de uma posição nas costas a que se chegou de outro jeito. A pergunta útil é como você chegou lá e o que continua disponível depois.
A partir de uke de quatro depois de um ataque
Quando uke fica de quatro, vá para trás, em vez de ficar ao lado. Pegue a gola esquerda com a mão direita o mais cedo que puder: é a pegada de que cada um dos três estrangulamentos por trás precisa, então ela não custa nada enquanto você espera para ver o que o braço esquerdo de uke faz.
A partir de uma imobilização, quando uke se vira para longe
Uke que sai de uma imobilização como o kata-gatame ou o kesa-gatame pode se virar de bruços. Durante o giro, uke muitas vezes apoia uma mão para se levantar. Se você conseguir acompanhar com o peito sobre as costas enquanto a mão esquerda de uke está no tatame, a axila está aberta. Se você chegar atrasado, o cotovelo geralmente já voltou para junto das costelas, e o okuri-eri-jime ou uma nova imobilização é mais realista.
Do estrangulamento para uma imobilização
Se uke libera o pescoço e rola de costas, solte completamente e depois monte uma imobilização com os seus próprios controles. O braço preso não é uma alça para virar uke.
Quando a asa desce
Se uke consegue abaixar o braço esquerdo enquanto a sua mão direita mantém a gola, você ainda tem a sequência do okuri-eri-jime da seção 7. Se a pegada da mão direita também se perdeu, restabeleça o controle das costas antes de tentar qualquer coisa.
Para montar sessões que liguem essas posições, veja o guia de exercícios de ne-waza e o plano de treino de ne-waza.
10 / RODADAS DE POSIÇÃO
De um exercício de colocação sentado a uma escolha ao vivo
Acrescente uma dificuldade por vez e combinem os sinais de parada, incluindo uma batida com o pé, antes de cada etapa. As durações são sugestões editoriais a adaptar com o seu professor.
Colocação sentado, sem pressão
Uke fica sentado com as pernas esticadas, como no vídeo do Kodokan. Tori pega a gola, levanta a asa e coloca o dorso da mão esquerda. Uke relata cada ponto de contato, um de cada vez. Avancem quando uke relatar a gola atravessada na frente do pescoço e o dorso da mão no pescoço, três vezes seguidas, sem desconforto no ombro.
Aplicação leve e o exercício de soltura
Tori aplica devagar; uke sinaliza cedo, alternando batida com a mão, batida com o pé e “pare” falado, para que tori aprenda os três. O professor observa o tempo entre o sinal e a soltura completa. Avancem só quando toda soltura for imediata.
Exercício de reação do braço com uke de quatro
Uke fica de quatro. Tori segura só a gola. Ao comando do professor, uke faz um movimento de braço combinado (apoiar no tatame, levar a mão para trás ou proteger a gola), e tori decide: asa se o cotovelo esquerdo sobe, caminho da gola se ele fica abaixado. Nenhuma pressão é aplicada; a tarefa é a decisão. Contem as escolhas corretas.
Resistência limitada
Uke defende com uma defesa combinada e pode abaixar o braço com esforço moderado. Tori pode completar o estrangulamento com intensidade controlada. Registrem três resultados separadamente: asa estabelecida, asa perdida, costas perdidas.
Comece a partir de uma imobilização
Comecem numa imobilização; uke sai virando para longe. Tori acompanha até as costas e faz a etapa 4. Isso testa se você consegue chegar a tempo para a axila aberta.
Quando uma etapa funcionar com um parceiro, mude apenas uma variável: primeiro um biotipo diferente com a mesma resistência, depois o mesmo parceiro com uma defesa mais livre.
Quem supervisiona: um professor que consiga ver os dois judocas. Sem um professor, fique nas etapas 1 e 3, que não usam pressão.
11 / REPLAYS DE COMPETIÇÃO
Duas listagens da IJF, e os pontos de regra que importam
Em 14 de outubro de 2026, a página de técnica do kataha-jime da IJF não mostrava nenhuma classificação de atletas no painel “most used by judoka” (mais usada pelos judocas), que exibia “No videos available!” (nenhum vídeo disponível), mas trazia links para seleções de competições marcadas com a técnica. Abrimos duas. Ao contrário das páginas de atletas usadas em alguns dos nossos outros guias, essas listagens de competição citam os dois competidores sem dizer qual deles executou a ação marcada. Não assistimos às imagens e não verificamos quem a aplicou, se pontuou nem quando aconteceu.
Grand Slam de Düsseldorf 2019: Mogushkov x Ebinuma
A seleção de kataha-jime da IJF para Düsseldorf 2019 lista Musa Mogushkov (RUS, branco) contra Masashi Ebinuma (JPN, azul).
Grand Slam de Osaka 2019: Coughlan x Puche
A seleção de kataha-jime da IJF para Osaka 2019 lista Maeve Coughlan (AUS, branco) contra Isabel Puche (ESP, azul).
A mesma página de técnica também lista seleções de outros eventos de Grand Prix e de Grand Slam entre 2016 e 2019 e do Campeonato Mundial de Cadetes de Lima 2024 (dois vídeos). Não abrimos esses vídeos.
Perguntas para assistir
- Quem e como: qual atleta está atrás? Anote isso antes de qualquer outra coisa, já que a listagem não diz.
- Antes das pegadas: as costas vieram de uma projeção, de uke de quatro ou de um giro para longe a partir de uma imobilização?
- A asa: o que fez o braço de quem defende subir: um apoio, uma tentativa de pegar para trás, uma defesa da gola?
- A mão esquerda: dá para ver o dorso dela contra o pescoço, ou ela está segurando o tecido (o que sugeriria outro estrangulamento)?
- O final: batida, intervenção do árbitro ou interrupção. Registre apenas o que você vê.
Pontos de regra que verificamos
Lemos o PDF oficial das IJF SOR Refereeing Rules (regras de arbitragem da IJF) na versão que a IJF lista como 21.01.2026 (conferida em 14 de outubro de 2026). Nessa versão: um competidor desiste batendo duas vezes ou mais com a mão ou com o pé, ou dizendo “maitta” (artigo 14); aplicar shime-waza com a faixa, com a parte de baixo do judogi ou “usando apenas os dedos” é shido (artigo 18.1.2, ponto 23; ponto 24 na edição de 12 de março de 2024); um estrangulamento aplicado em pé é interrompido com matte, e o texto atual acrescenta que será dado shido (artigo 11.2(g)); e qualquer ação que possa pôr em risco o pescoço ou as vértebras da coluna do adversário é hansoku-make (artigo 18.2.2, ponto 7(a); ponto 8 na edição de 2024). O artigo 20 acrescenta que um cadete que perde a consciência durante um shime-waza não pode continuar na competição. Lembre-se de que as regras nacionais e das categorias de base podem ser diferentes.
12 / VARIAÇÕES E COMPARAÇÕES
O kataha-jime entre os estrangulamentos do Kodokan
| Técnica | As mãos na definição da IJF |
|---|---|
| Kataha-jime | Braço direito em volta do pescoço até a gola esquerda; mão esquerda por baixo da axila esquerda, com o dorso contra a parte de trás do pescoço de uke. Puxar com a direita, empurrar com a esquerda. |
| Okuri-eri-jime | Mão direita na parte alta da gola esquerda, contornando o pescoço; mão esquerda por baixo da axila esquerda até a gola esquerda, depois até a gola direita. |
| Hadaka-jime | Nenhuma pegada no judogi: antebraço direito atravessado na frente do pescoço, mãos unidas acima do ombro esquerdo de uke. |
| Sankaku-jime | Um estrangulamento com as pernas, de frente para uke: as pernas formam um triângulo em volta do pescoço. Compartilha apenas a classificação de shime-waza. |
Não é uma variação do okuri-eri-jime: as duas primeiras etapas coincidem, e é por isso que os professores muitas vezes ensinam os dois juntos, mas o Kodokan os nomeia separadamente. Se a mão esquerda segura uma gola, já não é kataha-jime no sentido da IJF.
A posição inicial muda a tarefa, não o nome: sentado (como na demonstração), de quatro ou a partir de um giro para longe de uma imobilização, todas terminam nas mesmas posições das mãos, mas o braço esquerdo de uke se comporta de forma diferente em cada uma. De quatro, o braço muitas vezes está no tatame e sobe quando uke se apoia ou se levanta; sentado, ele está livre e tende a buscar a sua mão. Treine-as como exercícios separados.
Nomes informais: “single wing choke” é a tradução inglesa mais comum; “chicken wing” aparece na descrição de um canal de ensino e pode significar uma posição de braço em outras artes de luta agarrada. Confira o que o seu professor quer dizer antes de supor que é a mesma técnica.
13 / SEU PRÓXIMO TREINO
Um único foco: espere o braço subir
Use este registro numa sessão montada em torno do exercício de reação do braço da seção 10.
- Situação
- Uke de quatro; tori atrás, com a mão direita na gola esquerda de uke; sem pressão até a etapa 4.
- Meu foco
- Mandar o braço esquerdo por baixo só quando o cotovelo esquerdo de uke se afastar das costelas.
- O que percebi
- Qual movimento de braço abriu a axila? A asa continuou levantada até a minha mão chegar ao pescoço? Uke alguma vez sentiu o pescoço antes da gola?
- Pergunta ao professor
- “Onde exatamente deve ficar o dorso da minha mão esquerda, e a que altura da gola deve ficar a minha mão direita para o comprimento do meu braço?”
- Próxima decisão
- Continuar no exercício de decisão, passar para a resistência limitada ou trabalhar a sequência do okuri-eri-jime.
Exemplo ilustrativo, não dados medidos: “Oito inícios com uke de quatro. Uke apoiou a mão esquerda três vezes e eu consegui a asa duas; três vezes o cotovelo ficou abaixado e eu tentei forçá-lo, sem sucesso. Próxima sessão: ameaça só com a gola e troca para o okuri-eri-jime sempre que o cotovelo ficar fechado.”
Guarde as suas anotações na ficha de registro de treino ou no Judo AI, e anote o que uke fez com o braço esquerdo em cada tentativa.
14 / FONTES E REVISÃO
Fontes, autoria e revisão
O nome, o kanji e a classificação vêm da lista de nomes de técnicas do Kodokan (em inglês). As pegadas e a ação de puxar e empurrar vêm da definição do kataha-jime da IJF (conferida em 14 de outubro de 2026). As listagens de competição vêm das páginas de competição da IJF para Düsseldorf 2019 e Osaka 2019. As referências de regras vêm das IJF SOR Refereeing Rules, na versão listada como 21.01.2026 e conferida em 14 de outubro de 2026, com link a partir da página de documentos da IJF.
Por Judo AI · Revisão editorial do texto original em inglês: 14 de outubro de 2026 · Versão em português: 15 de outubro de 2026. As sugestões de ensino, os diagnósticos e os exercícios são propostas editoriais para treino supervisionado, e não um programa validado. Nenhum professor identificado revisou esta página. O vídeo do Kodokan foi percorrido em intervalos de alguns segundos; o vídeo de ensino é citado apenas pelo título, pela descrição e pela lista de capítulos do responsável pela publicação.
Não verificado: uma altura recomendada na gola, a orientação da mão esquerda ou a posição do corpo de tori além do que a definição afirma e o vídeo mostra; o conteúdo do capítulo de saída do vídeo de ensino; quem executou a ação em cada uma das duas listagens da IJF.
Guias relacionados de katame-waza: okuri-eri-jime e hadaka-jime (estrangulamentos por trás), sankaku-jime (estrangulamento com as pernas), kata-gatame e kesa-gatame (imobilizações).