01 / VISÃO GERAL
Um estrangulamento feito por um triângulo de pernas
O sankaku-jime (三角絞) é um dos doze shime-waza (estrangulamentos) da lista de nomes de técnicas do Kodokan, dentro do grupo do katame-waza (técnicas de controle no solo). “Sankaku” significa triângulo; a IJF dá o nome em inglês “triangular strangle” (estrangulamento triangular), e muitos clubes de língua inglesa dizem “triangle choke” (estrangulamento em triângulo).
A definição da IJF descreve a técnica de frente para o adversário: passe a perna direita por cima do ombro esquerdo de uke e a perna esquerda por baixo da axila direita de uke, prenda o pé direito sob a parte de trás do seu próprio joelho esquerdo “numa formação triangular das pernas” e aperte o pescoço a partir dessa posição (traduzido do texto da IJF em inglês). As pernas fazem o estrangulamento; as mãos não são mencionadas na definição.
O mesmo triângulo de pernas aparece em outra técnica do Kodokan, o ude-hishigi-sankaku-gatame, uma chave de articulação em que as mãos estendem o cotovelo de uke. Professores também usam o triângulo para virar uke e chegar a uma imobilização. Esta página trata do estrangulamento; a seção 12 separa os três.
Leitor: um judoca a quem o professor já mostrou como os estrangulamentos são aplicados e soltos. Um texto não substitui essa aula. O treino termina na batida e nunca continua em direção à perda de consciência.
Nomes que você vai encontrar: sankaku-jime, sankaku jime, “triangular strangle” e “triangle choke” se referem a esta técnica do Kodokan. Nomes como mae-sankaku, yoko-sankaku ou ushiro-sankaku são rótulos informais de ensino para a direção de onde você ataca; a lista do Kodokan tem uma única entrada, Sankaku-jime.
02 / VEJA A TÉCNICA
A demonstração do Kodokan e as anotações de aula de um professor
Abra este vídeo no YouTube se o player não carregar.
Percorremos este vídeo em intervalos de alguns segundos, e não quadro a quadro. O que conseguimos ver: a dupla começa sentada e ajoelhada, um de frente para o outro. Depois tori se deita de costas, com uke ajoelhado sobre tori e entre as pernas de tori. Uma das pernas de tori sobe por cima do ombro de uke e por trás do pescoço, e a cabeça de uke fica mantida baixa, junto ao corpo de tori. Nas vistas laterais, as mãos de tori seguram um dos braços de uke pela manga, perto do peito de tori, por dentro das pernas. O vídeo repete a ação de vários ângulos de câmera, incluindo um por trás da cabeça de tori e closes da cabeça e do braço.
Assista com o texto da IJF ao lado. Procure: qual perna passa por cima do ombro; por onde a outra perna passa em relação à axila de uke; onde o pé direito fica preso; o que as mãos de tori fazem com o braço de uke; e se a cabeça de uke é puxada ou apenas mantida. Marque tudo o que a câmera esconde como “não visível”, em vez de completar de memória.
Abra este vídeo no YouTube. Referência independente de ensino, separada da demonstração oficial.
Não revisamos este vídeo de ensino assistindo à reprodução, então nenhuma instrução específica aqui é atribuída a ele. A lista de capítulos do responsável pela publicação (em inglês; os títulos estão traduzidos aqui) mapeia os temas: definição (0:00), explicação do triângulo (0:13), trabalho de pés (0:20), fechar as artérias carótidas (0:40), puxar o braço de uke esticado (1:05), uchikomis de sankaku-jime (1:52), origens no campo de batalha (2:54), “wrasslers” (lutadores de luta livre) (3:06), superar dificuldades de flexibilidade (3:28), “judô ≠ caminho suave” (4:10) e pegar mais alto na manga de uke (4:38). Essas são indicações do responsável pela publicação, e não marcações de tempo que conferimos.
Três títulos de capítulo se ligam a perguntas desta página: “puxar o braço de uke esticado” e “pegar mais alto na manga de uke” tratam os dois do braço de dentro (seção 4); “superar dificuldades de flexibilidade” é relevante se o seu pé não alcança o seu joelho (seção 6). Peça ao seu professor que mostre o que quer dizer com cada um.
03 / QUANDO APLICAR
As oportunidades vêm da cabeça de uke e de um braço na sua frente
O sankaku-jime é atacado de frente para uke. Você precisa da cabeça de uke ao alcance das suas pernas e de um dos braços de uke por dentro, com o outro braço por fora. As posições que oferecem isso são bem específicas.
Uke ajoelhado entre as suas pernas
Esta é a posição do vídeo do Kodokan. Você está de costas e uke está entre as suas pernas, tentando passar ou estrangular. Se a cabeça de uke vem para a frente e uma das mãos se apoia no seu corpo ou no seu judogi enquanto a outra não, a disposição de que o triângulo precisa já está parcialmente pronta.
Uke de quatro na sua frente
Quando uke está de quatro, com a cabeça voltada para você, os professores ensinam entradas no triângulo pela frente ou pelo lado. A cabeça de uke está baixa e os braços estão perto dela, então uma perna consegue passar por cima de um ombro. Essas entradas muitas vezes levam a uma virada, e não a um estrangulamento ali mesmo; a seção 9 trata desse desdobramento.
Uke avança um braço
Um único braço que avança para pegar a sua gola ou empurrar o seu quadril é o convite clássico: esse braço pode ficar dentro enquanto o outro continua fora. Dois braços avançando ao mesmo tempo, ou dois braços mantidos por fora, não oferecem a forma.
Quando ele não está disponível
Se os dois braços de uke estão fora das suas pernas, fechar as pernas só em volta do pescoço não é sankaku-jime e é penalizado em competições da IJF (seção 11). Se uke está ereto, com a cabeça bem longe de você, a perna não consegue passar por cima do ombro sem antes quebrar essa postura. Se uke está em pé, um estrangulamento não é permitido: pelas regras da IJF, shime-waza a partir da posição em pé é interrompido com matte. E se o seu quadril está preso no chão sob o peso de uke, você vai ter dificuldade para levantar as pernas; recupere espaço primeiro.
04 / COMO FUNCIONA
Postura, braço dentro, perna por cima, pé travado, e então apertar devagar
A definição da IJF fixa as pernas e a trava. Ela não especifica as pegadas, o ângulo do quadril nem a força do aperto, então isso vem do seu professor. Cada etapa tem uma verificação que uke pode relatar antes de qualquer pressão.
Traga a cabeça de uke para baixo antes de as pernas se moverem
Com uke ajoelhado entre as suas pernas, as suas pegadas nas mangas ou na gola de uke e os seus joelhos puxam a postura de uke para a frente, de modo que a cabeça chegue ao seu alcance. Um título de capítulo de um vídeo de ensino sugere uma pegada mais alta na manga; pergunte ao seu professor onde a sua deveria ficar. Verificação: antes de qualquer perna se mover, você consegue tocar a parte de trás do pescoço de uke com a parte de baixo da sua perna direita sem que uke precise se curvar mais? Se não, a perna vai chegar atrasada e uke vai endireitar a postura.
Um braço dentro, um braço fora
O triângulo precisa envolver o pescoço e um braço. Segure junto ao seu corpo, pela manga ou pelo pulso, o braço que vai ficar dentro; na demonstração, as mãos de tori seguram o braço de uke perto do peito de tori. O outro braço deveria ficar por fora do triângulo. Verificação: antes de a perna passar por cima, diga qual braço de uke está dentro e confirme com uke. Se os dois estão fora ou os dois estão dentro, recomece.
Perna direita por cima do ombro esquerdo e por trás do pescoço
Levante a perna direita por cima do ombro esquerdo de uke, de modo que a parte de trás da coxa e do joelho atravesse por trás do pescoço de uke. A perna deveria ficar atravessada sobre o pescoço e o ombro, e não em cima da cabeça. Verificação: uke diz onde está a perna. “Na minha cabeça” ou “na parte de cima das minhas costas” significa que a perna está no lugar errado.
Perna esquerda por baixo da axila direita, pé direito sob o joelho esquerdo
Leve a perna esquerda por baixo da axila direita de uke e dobre-a de modo que o seu pé direito fique preso sob a parte de trás do seu joelho esquerdo. Esse é o triângulo da definição. A trava é um pé atrás de um joelho, e não dois tornozelos cruzados. Verificação: o professor vê o peito do seu pé direito na dobra do seu joelho esquerdo. Se em vez disso os seus pés estão cruzados nos tornozelos, a forma é outra e não fecha o triângulo.
Aperte devagar, com o braço ainda dentro
Com o triângulo travado, aperte o pescoço fechando as pernas, como diz a definição. Aumente aos poucos, a partir de quase nada, para que uke possa bater cedo. Um capítulo de um vídeo de ensino menciona puxar o braço esticado; não substitua o aperto das pernas por uma puxada na cabeça. Puxar a cabeça de uke para baixo com as mãos sobrecarrega o pescoço e a coluna, e qualquer ação que possa pôr em risco o pescoço ou as vértebras da coluna é um ato de hansoku-make pelas regras da IJF. Verificação: uke relata pressão nos lados do pescoço, vinda das pernas e do ombro preso, e não uma flexão do pescoço.
Solte abrindo a trava
Diante de uma batida, de um “pare” falado, de qualquer sinal de mal-estar ou de qualquer dúvida, tire o pé direito de trás do joelho esquerdo e abra as duas pernas. Não se limite a relaxar o aperto mantendo a trava. O braço de dentro de uke pode estar preso pelas suas mãos, então combinem antes de cada rodada que uma batida com a mão livre, uma batida com o pé ou um “pare” falado valem igualmente. Se uke parar de responder, abra as pernas, chame o professor e encerre o exercício.
O que fecha os caminhos de saída de uke: a quebra da postura impede que uke se levante para fora do alcance; o braço de dentro impede que uke use as duas mãos contra as suas pernas e mantém o triângulo dentro das regras; a trava no joelho impede que as pernas sejam abertas à força; e o seu quadril de frente para uke impede que uke dê a volta com um passo. Cada um falha do seu jeito, e é por isso que os problemas abaixo são tratados separadamente.
05 / PONTOS-CHAVE
Quatro verificações sob resistência
Escolha uma por sessão e anote-a depois de cada rodada.
O braço de dentro continua dentro até você soltar
Verificação: depois de cada tentativa, uke diz se o braço estava dentro quando o triângulo fechou e quando foi solto. Qualquer “não” é uma parada, e não um sucesso parcial.
Pé atrás do joelho, nunca tornozelos cruzados em volta do pescoço
Verificação: o professor diz “mostre a trava” e você para. Conte quantas vezes o peito do pé direito está na dobra do joelho esquerdo.
Cabeça para baixo antes de a perna subir
Verificação: filme de lado. Em cada tentativa, anote se a postura de uke já estava quebrada quando a perna direita começou a subir. As tentativas com uke ereto tendem a ser aquelas em que uke se levantou.
O aperto vem das pernas, não das mãos
Verificação: durante três repetições, mantenha as mãos apenas no braço de dentro de uke. Se uke ainda relata que o estrangulamento vai se formando, o triângulo está fazendo o trabalho. Se só funciona quando você puxa a cabeça, corrija primeiro o triângulo.
06 / ERROS E AJUSTES
Por que o seu sankaku-jime falha?
Identifique a primeira etapa que falhou: postura, braço, posição da perna, trava ou aperto. Cada uma tem causas diferentes.
“Uke se levanta assim que a minha perna sobe.”
Causas possíveis: a postura de uke nunca foi quebrada, então a cabeça estava fora do alcance; as suas pegadas estavam no lugar errado para puxar uke para a frente; ou você levantou a perna devagar enquanto uke a via chegar. Como distinguir: congele o vídeo no momento em que a perna direita começa a subir e olhe as costas de uke: curvadas na sua direção ou eretas? Ajuste: dedique um bloco só à quebra da postura: você de costas, uke ajoelhado, e a única tarefa é trazer a cabeça de uke ao seu alcance e mantê-la ali por alguns segundos. Acrescente a perna só depois que isso funcionar com resistência moderada. Avaliação: com que frequência a perna chega à parte de trás do pescoço, com o mesmo parceiro e a mesma resistência.
“O meu pé não alcança a parte de trás do meu joelho.”
Causas possíveis: o triângulo está frouxo demais porque a perna direita está baixa demais nas costas de uke; o seu quadril está de frente, alinhado com uke, quando o seu professor o colocaria em ângulo; ou um limite real de flexibilidade ou de comprimento de perna para o tamanho deste parceiro. Como distinguir: tente a trava num parceiro menor, sem pressão. Se ali ela fecha com facilidade, é uma questão de tamanho ou de posição com este parceiro; se não, é a forma. Ajuste: peça ao seu professor que mostre a posição do quadril para o seu corpo; o capítulo do vídeo de ensino sobre flexibilidade é um ponto de partida para essa conversa. Nunca force o joelho para baixo com uma mão na cabeça de uke para conseguir a trava. Avaliação: o número de travas completadas sem pressão e, depois, com resistência leve, no mesmo parceiro.
“Uke tira o braço e as pernas ficam só em volta do pescoço.”
Causas possíveis: as suas mãos soltaram o braço de dentro enquanto você trabalhava na trava; o braço estava dentro só de leve, na altura do antebraço; ou uke empurrou o seu quadril para baixo para soltá-lo. Como distinguir: pergunte a uke em que momento o braço saiu. Ajuste: pare a tentativa imediatamente e abra as pernas. Pelas regras da IJF, pernas em volta do pescoço sem um braço dentro são interrompidas com matte e shido. Depois, treine segurar o braço pela manga, mais alto, enquanto a trava é feita. Avaliação: as repetições em que uke confirma o braço dentro desde a trava até a soltura.
“Uke diz que parece uma torção no pescoço.”
Causas possíveis: você está puxando a cabeça de uke para baixo com as mãos para compensar um triângulo frouxo; a perna direita está na parte de trás da cabeça, e não no pescoço; ou uke está sendo dobrado para a frente sob as suas pernas. Como distinguir: uke diz onde está a pressão. Desconforto na parte de trás do pescoço ou na parte alta da coluna, com pouca pressão nos lados, é o sinal de alerta. Ajuste: solte por completo. Recoloque a perna direita no pescoço e aperte só com as pernas, com as mãos no braço. Se isso não produz nada, o problema é a forma do triângulo, e não o esforço. Avaliação: três repetições lentas com pressão relatada nos lados do pescoço e sem puxar a cabeça.
“Uke avança com o corpo e as minhas pernas desmontam.”
Causas possíveis: uke empilhou o seu quadril por cima dos seus ombros e está jogando peso sobre você; a sua trava estava incompleta quando uke começou a avançar; ou a sua cabeça e o seu pescoço estão suportando o peso de uke. Como distinguir: o professor olha o seu próprio pescoço. Se o seu queixo está sendo empurrado contra o peito, quem está em risco é você. Ajuste: pare: abra as pernas e recomece. Nos exercícios, combinem que uke não joga o peso sobre o pescoço de tori. Pergunte ao seu professor como inclinar o quadril para que o triângulo esteja completo antes de uke conseguir avançar. Avaliação: menos tentativas desmontadas com a mesma resistência combinada.
“A trava está feita, mas nada acontece.”
Causas possíveis: o triângulo envolve o braço, mas o pescoço não está bem encostado nele, então o aperto se fecha sobre o vazio; as suas pernas estão pressionando a mandíbula ou o rosto; ou uke virou a cabeça para aliviar o lado do pescoço. Como distinguir: uke diz onde sente as pernas apertarem. Ajuste: solte e reconstrua na ordem: postura, braço, perna, trava. Não aperte com mais força e não puxe a cabeça. Avaliação: com que frequência uke relata o contato do pescoço antes de você começar o aperto.
07 / PREPARAÇÕES E DESDOBRAMENTOS
O que uke faz com o braço de dentro decide a próxima ação
Cada sequência indica o início, a primeira ação, a resposta de uke, a próxima ação e quando parar.
UM BRAÇO DENTRO → TRIÂNGULO
Uke avança uma mão estando entre as suas pernas
Início: você está de costas, uke ajoelhado entre as suas pernas. Primeira ação: quebre a postura de uke com as suas pegadas e os seus joelhos. Resposta: uke apoia uma mão no seu peito ou busca a sua gola, deixando o outro braço por fora. Próxima ação: segure o braço de dentro, passe a perna direita por cima do ombro do braço de fora e complete a trava como na seção 4. Parar: se uke retira o braço de dentro antes da trava, não feche as pernas no pescoço; volte a controlar uke com as pernas e as pegadas, na guarda.
ESTRANGULAMENTO → CHAVE
O estrangulamento é defendido, mas o braço de dentro se estica
Início: triângulo travado, braço dentro. Primeira ação: aperto lento. Resposta: uke protege o pescoço endireitando a postura, e o braço de dentro se estica atravessado sobre o seu corpo. Próxima ação: se o seu professor já ensinou e as regras do seu treino permitem, o mesmo triângulo pode virar ude-hishigi-sankaku-gatame, em que as suas mãos estendem o cotovelo. Essa é outra técnica, com as suas próprias regras de segurança: estenda o cotovelo devagar, e só no cotovelo. Parar: se você não está treinando chaves de articulação nesta sessão, solte e recomece, em vez de improvisar.
TRIÂNGULO → IMOBILIZAÇÃO
Uke continua de frente e pesado, e o estrangulamento não fecha
Início: triângulo feito, mas uke tem uma base forte. Primeira ação: aperto leve. Resposta: uke empurra para a frente ou para um lado para aliviar o pescoço. Próxima ação: os professores ensinam a rolar uke com o triângulo ainda feito e terminar por cima. Pela definição de osaekomi da IJF, as “situações de sankaku” estão entre as posições de imobilização reconhecidas, mas só quando você controla a parte de cima do corpo de uke, como uma imobilização exige. Parar: se o rolamento for torcer o pescoço de uke, abra as pernas primeiro.
DE QUATRO → ENTRADA NO TRIÂNGULO
Uke de quatro, com a cabeça voltada para você
Início: uke de quatro, de frente para o seu lado ou para a sua frente. Primeira ação: a entrada que o seu professor ensina para passar uma perna por cima de um ombro. Resposta: uke recolhe o braço mais próximo e abaixa a cabeça. Próxima ação: se um braço está dentro, complete a trava e decida entre o estrangulamento e uma virada, conforme a reação de uke. Parar: se os dois braços acabam por fora, não existe triângulo permitido; recomece.
Anote o que uke fez quando você fechou as pernas: endireitou a postura, puxou o braço, avançou com o corpo ou rolou. Essas respostas decidem o desdobramento.
08 / DEFESAS E SAÍDAS
Nunca deixe um braço dentro e o outro fora
Trate a defesa em três camadas: prevenção (não oferecer a forma), defesa (impedir a trava ou o aperto) e saída (sair do triângulo).
Prevenção: postura e os dois braços juntos
Quando você estiver entre as pernas de tori, mantenha as costas retas e a cabeça erguida, longe do peito de tori. Mantenha as duas mãos do mesmo lado das pernas de tori: as duas por dentro, no corpo de tori, ou as duas por fora, controlando os joelhos. Avançar com um braço só é a forma de que o estrangulamento precisa.
Defesa: impeça a trava de se formar
Se a perna de tori passa por cima do seu ombro, trabalhe para impedir que tori prenda o pé direito atrás do joelho esquerdo. Tirar o braço de dentro antes de a trava fechar desfaz o triângulo. Não puxe à força um braço para fora de um triângulo fechado enquanto o aperto está sendo aplicado; em vez disso, bata.
Saída: postura e giro, como o seu professor ensina
As saídas de um triângulo fechado envolvem a postura, a posição do quadril e a liberação do braço de dentro. Ficar em pé e levantar tori do tatame não é um exercício para iniciantes supervisionados, e em competições da IJF o árbitro anuncia matte quando um atleta fica em pé e levanta, sem contato com o tatame, um adversário que está deitado de costas com as pernas em volta dele (Artigo 11.2(f)). Aprenda a saída que o seu professor ensina e, se a pressão aumentar enquanto você sai, bata.
Contragolpes e exposição
Não tente sair batendo tori contra o tatame nem levantando tori do tatame e largando. Não jogue o seu peso sobre o pescoço de tori para desmontar as pernas. Se o braço se solta, tori provavelmente vai soltar de qualquer forma: espere a soltura, em vez de dar trancos.
09 / CHAVES, IMOBILIZAÇÕES E VIRADAS
O triângulo como ponto de ligação entre estrangulamento, chave e imobilização
O triângulo de pernas liga três resultados diferentes no judô. Saber qual deles você está buscando mantém o treino seguro e evita confusão.
Da guarda ao estrangulamento
O vídeo do Kodokan mostra o estrangulamento com tori de costas e uke entre as pernas. Se uke endireita a postura e sai do alcance, volte às pegadas e à quebra da postura. Se uke fica em pé, solte; estrangulamentos a partir da posição em pé são interrompidos em competições da IJF.
Do estrangulamento à chave de braço
Quando o braço de dentro se estica, o triângulo pode levar ao ude-hishigi-sankaku-gatame. Trate-o como uma habilidade separada, a aprender com o guia próprio e com o seu professor, com as suas próprias regras de soltura.
Do triângulo a uma imobilização
Uma virada com as pernas travadas pode terminar com você por cima. As regras da IJF listam as “situações de sankaku” entre as posições em que o osaekomi pode ser aplicado, mas também interrompem imobilizações que controlam apenas a cabeça e o pescoço: pernas em volta do pescoço sem um braço dentro são interrompidas com matte e shido. O braço de dentro importa tanto para a imobilização quanto para o estrangulamento.
Quando o triângulo se abre
Se uke solta o braço ou a trava se desfaz, volte a controlar uke com as pernas e as pegadas, ou recupere uma posição segura. Não persiga o pescoço só com as pernas.
Para planejar sessões que liguem essas partes, veja o guia de exercícios de ne-waza e o plano de treino de ne-waza.
10 / RODADAS DE POSIÇÃO
De um triângulo parado a uma rodada de posição com resistência
Acrescente uma dificuldade de cada vez e combinem os sinais de parada, incluindo uma batida com o pé e um “pare” falado, antes de cada etapa. As durações são sugestões editoriais a adaptar com o seu professor.
Só a forma, sem aperto
Uke fica ajoelhado, tori se deita. Tori coloca o braço dentro, passa a perna direita por cima e faz a trava. Uke diz qual braço está dentro e onde está a perna. Passe à etapa seguinte quando a trava do pé atrás do joelho for feita no lugar certo três vezes seguidas.
Exercício de aperto leve e soltura
Tori aperta devagar com as pernas, com as mãos apenas no braço; uke sinaliza cedo, alternando mão, pé e voz. O professor confere que tori abre a trava por completo todas as vezes.
Rodada de quebra da postura, sem triângulo
Uke tenta se endireitar com boa postura; tori tenta trazer a cabeça ao seu alcance e mantê-la ali. Isso isola o primeiro problema.
Exercício de decisão pela reação dos braços
Ao sinal do professor, uke oferece os dois braços dentro, os dois fora ou um dentro. Tori ataca o triângulo apenas quando um braço está dentro e o outro está fora. Conte as decisões corretas; sem aperto.
Rodada de posição controlada
Uke defende com uma defesa combinada e se compromete a não jogar o peso sobre o pescoço de tori. Tori pode fechar o triângulo e apertar com intensidade controlada. Registre três resultados: triângulo travado, braço perdido, uke saiu endireitando a postura.
O fato de a etapa 5 funcionar com um parceiro não significa que ela vai funcionar com um parceiro mais pesado ou mais flexível. Mude uma variável de cada vez.
Quem supervisiona: um professor que consiga ver os dois judocas. Sem professor, fique nas etapas 1, 3 e 4.
11 / COMPETIÇÃO E REGRAS
Duas pistas de replay da IJF, e o que as regras dizem sobre o triângulo
Em 14 de outubro de 2026, a página de técnica Sankaku-jime da IJF listava os atletas com mais lutas marcadas, encabeçados por Damian Szwarnowiecki (Polônia, 9) e Lubjana Piovesana (Áustria, 8). Cada página de atleta tem o título “Sankaku-jime by …” (sankaku-jime de …), atribuindo a ação marcada àquele atleta. Não verificamos se a ação pontuou, o momento nem nenhuma tática, e não assistimos às imagens.
Campeonato Mundial de Baku 2018: Szwarnowiecki x Khalmurzaev
A seleção de sankaku-jime da IJF de Damian Szwarnowiecki lista a luta dele (POL, branco) contra Khasan Khalmurzaev (RUS, azul) no Campeonato Mundial adulto de Baku 2018.
Campeonato Mundial de Baku 2026: Kim x Piovesana
A seleção de sankaku-jime da IJF de Lubjana Piovesana lista a luta dela (AUT, azul) contra Yeji Kim (KOR, branco) no Campeonato Mundial adulto de Baku 2026.
Perguntas para assistir
- A entrada: quem atacou estava por baixo, com uke entre as pernas, ou entrando num adversário de quatro?
- O braço: qual braço está dentro do triângulo, e ele continua ali?
- A trava: dá para ver o pé preso atrás do joelho?
- O desdobramento: a ação termina como estrangulamento, chave, virada para uma imobilização ou interrupção?
- O final: registre só o que você vê: batida, intervenção do árbitro ou matte.
Pontos das regras que verificamos
Lemos o PDF oficial das IJF SOR Refereeing Rules (regras de arbitragem da IJF) na versão que a IJF lista como 21.01.2026 (conferida em 14 de outubro de 2026). Nessa versão: em shime-waza, uma “situação de sankaku segurando a cabeça com as pernas apenas em volta do pescoço”, com as pernas ajudando as pegadas “sem nenhum braço do adversário”, é matte e shido (Artigo 18.1.2, ponto 26; ponto 27 na edição de 12 de março de 2024); no Artigo 17, o controle no ne-waza (luta no solo) com as pernas em volta do pescoço sem o braço do adversário dentro também é matte e shido; aplicar o do-jime, um estrangulamento do Kodokan listado separadamente, é hansoku-make (Artigo 18.2.2, ponto 3); shime-waza a partir da posição em pé é interrompido com matte, e o texto atual acrescenta que será dado shido (Artigo 11.2(g)); qualquer ação que possa pôr em risco o pescoço ou as vértebras da coluna é hansoku-make (Artigo 18.2.2, ponto 7(a); ponto 8 na edição de 2024); e um competidor desiste batendo duas ou mais vezes com a mão ou com o pé, ou dizendo “maitta” (Artigo 14). O Artigo 20 acrescenta que um cadete que perde a consciência durante um shime-waza não pode continuar na competição. Lembre-se de que as regras nacionais e das categorias de base podem ser diferentes. (Trechos traduzidos do texto da IJF em inglês.)
Uma armadilha de nome: as mesmas regras mencionam uma “kata-sankaku grip” (pegada kata-sankaku), definida ali como segurar o pescoço e um ombro com os dois braços. É uma pegada com os braços, com as suas próprias regras no judô em pé, e não o sankaku-jime.
12 / VARIAÇÕES E COMPARAÇÕES
Três coisas chamadas “sankaku”
| Nome | O que é |
|---|---|
| Sankaku-jime | Shime-waza do Kodokan. Triângulo de pernas em volta do pescoço com um braço dentro; as pernas apertam o pescoço (definição da IJF). |
| Ude-hishigi-sankaku-gatame | Kansetsu-waza (chave de articulação) do Kodokan (nome na página da IJF: “Sankaku-gatame”). O mesmo tipo de triângulo de pernas, pela frente, por trás ou pelo lado; uma ou as duas mãos estendem e controlam o cotovelo de uke. |
| Virada em sankaku para uma imobilização | Não é uma técnica separada do Kodokan. O triângulo é usado para rolar uke; o resultado é avaliado como osaekomi, e as regras da IJF listam as situações de sankaku entre as posições de imobilização. |
| Kataha-jime e outros estrangulamentos por trás | Estrangulamentos com o braço e com a gola, aplicados por trás de uke. Eles compartilham a classificação de shime-waza, não a mecânica. |
Rótulos de direção: professores falam em triângulos pela frente (mae), pelo lado (yoko) e por trás ou invertidos (ushiro, ura), conforme a direção de onde as pernas são aplicadas. São nomes informais. Se as pernas formam o triângulo em volta do pescoço e de um braço e as pernas fazem o estrangulamento, continua sendo sankaku-jime; se as mãos estendem o cotovelo, é a chave de braço.
Não é uma tesoura de pernas: cruzar os tornozelos só em volta do pescoço, ou apertar o tronco com as pernas cruzadas, não é sankaku-jime. O do-jime é um estrangulamento separado do Kodokan que as regras da IJF listam como hansoku-make, e pernas em volta do pescoço sem um braço dentro são penalizadas.
Outros esportes: o triângulo é comum em outros esportes de agarre, com outras regras. Aqui valem a regra do braço dentro do judô, o matte para estrangulamentos em pé e o matte quando um adversário deitado é levantado sem contato com o tatame; não importe outros conjuntos de regras.
13 / SEU PRÓXIMO TREINO
Um foco: um braço dentro, um braço fora
Use este registro para uma sessão construída em torno do exercício de decisão da seção 10.
- Situação
- Tori de costas, uke ajoelhado entre as pernas; resistência controlada; sem jogar o peso sobre o pescoço.
- Meu foco
- Atacar o triângulo só quando um dos braços de uke está dentro e o outro está fora.
- O que eu notei
- Quantas vezes o braço ainda estava dentro quando eu travei? O meu pé ficou preso atrás do meu joelho? Uke relatou alguma vez a parte de trás do pescoço?
- Pergunta ao professor
- “Qual braço deveria ficar dentro na sua versão, e onde deveria ficar o meu quadril para o comprimento da minha perna?”
- Próxima decisão
- Continuar na quebra da postura, passar para a rodada controlada ou aprender o desdobramento da virada.
Exemplo ilustrativo, não são dados medidos: “Dez inícios. Travei o triângulo quatro vezes; o braço estava dentro todas as vezes, mas uke se levantou e saiu do alcance em outras duas, antes de a minha perna subir. Próxima sessão: primeiro as rodadas de quebra da postura, depois o exercício da forma.”
Guarde as suas anotações na ficha de registro de treino ou no Judo AI, e registre o que uke fez quando as pernas se fecharam.
14 / FONTES E REVISÃO
Fontes, autoria e revisão
O nome, os kanji e a classificação vêm da lista de nomes de técnicas do Kodokan (em inglês), que também lista o ude-hishigi-sankaku-gatame entre os kansetsu-waza e o do-jime entre os shime-waza. O triângulo de pernas vem da definição do sankaku-jime da IJF, e a comparação com a chave, da definição do Sankaku-gatame da IJF (as duas conferidas em 14 de outubro de 2026). As referências às regras vêm das IJF SOR Refereeing Rules, versão listada como 21.01.2026 e conferida em 14 de outubro de 2026, com link na página de documentos da IJF.
Por Judo AI · Revisão editorial do texto original em inglês: 14 de outubro de 2026 · Versão em português: 15 de outubro de 2026. As sugestões de ensino, os diagnósticos e os exercícios são propostas editoriais para treino supervisionado, e não um programa validado. Nenhum professor identificado revisou esta página. O vídeo do Kodokan foi percorrido em intervalos de alguns segundos; o vídeo de ensino é citado apenas pelo título, pela descrição e pela lista de capítulos do responsável pela publicação.
Não verificado: qual braço de uke fica dentro na forma do Kodokan (o texto da IJF nomeia apenas as pernas, e os ângulos do vídeo não resolveram isso para nós); as pegadas e o ângulo do quadril recomendados; o conteúdo dos capítulos do vídeo de ensino; pontuações ou momentos em qualquer uma das duas listagens da IJF.
Guias relacionados de katame-waza: ude-hishigi-sankaku-gatame (a chave de braço em triângulo), kataha-jime, okuri-eri-jime e hadaka-jime (estrangulamentos), ude-hishigi-juji-gatame (chave de braço).